Seguir por Email

terça-feira, 8 de setembro de 2009

TEXTOS PARA A MUDANÇA 4 por Ana Rita Alves

O PAÍS DAS MARAVILHAS


Um dos grandes e principais problemas da ascensão ao poder prende-se com o facto de ser difícil, parecendo por vezes até doloroso, de abandonar. A classe política deveria servir o país e não servir-se do país. Deveria combater a corrupção e não ser corruptível. Deveria combater o abuso de poder e não apoderar-se do que é público, como se o simples facto de serem governantes lhes conferisse o direito de fazê-lo.

O poder local, por ser aquele que se encontra mais próximo dos cidadãos, tem o dever e a obrigação de assumir um papel social que tem vindo ao longo do tempo a ser deturpado e mal entendido pela grande maioria das pessoas e dos eleitos, levando muitas vezes a que o facto de não querer abandonar o poder ou o de cumprir promessas passadas, leve a que o papel social do poder local se resuma a arranjar o vulgar “tacho”. As autarquias, principalmente nos concelhos mais pequenos, são muitas vezes o maior “gerador” de empregos. Mas, e à parte de tudo isto e mais importante está a criação de um conjunto de requisitos que permitam criar emprego fora da sua própria estrutura.

Só assim, os eleitos poderão ter a certeza que quando for a altura de fazer o balanço (ou seja, no ano das eleições), os seus eleitores façam um juízo de valor despreconceituoso, em consciência e sobretudo em liberdade.
Enquanto isto não acontecer as acusações sucedem-se, as desconfianças acentuam-se e a democracia fica mais pobre.
Enquanto isto não acontecer o voto não passa de um mero bilhete que se pode comprar ao eleitor a troco de bons espectáculos, de obras megalómanas que em pouco ou nada contribuem para a melhoria da nossa qualidade de vida, de um emprego que por muito que nos seja útil nos condiciona a nossa liberdade de pensar e de agir.

Querem vender-nos a ideia que vivemos num Pais das Maravilhas, que vivemos num país onde daqui a meia dúzia de anos a maior parte da população activa tem pelo menos o 9.º ano de escolaridade à custa do programa maravilhoso das Novas Oportunidades, num país onde a taxa de sucesso escolar é cada vez maior à custa de uma politica de educação onde os alunos não podem chumbar e onde os professores são avaliados positivamente consoante o número de alunos que aprovarem, num país onde o desemprego é o dobro daquele que nos apresentam porque existem mil e uma formas dos desempregados fazerem parte da estatística dos empregados. Em suma, não vivemos num país de analfabetos, vivemos num país onde se promovem os "analfabrutos", não vivemos num país onde os estudantes são de facto inteligentes e capazes, vivemos num país onde se é doutorado sem saber ler nem escrever, não vivemos num país de desempregados, vivemos num país onde a maior parte dos que não têm emprego vão tirar cursos atrás de cursos sem que essa formação seja solução para o problema, poruqe ninguém se preocupa em criar verdadeiros postos de trabalho para estas pessoas.
Enquanto isso, o coelho do Portugal das Maravilhas continua a dizer: "Vou chegar tarde, vou chegar tarde!" e quando acordarmos do sonho não vamos concerteza ser Alices porque chegámos demasiado tarde para reparar os erros que deixámos que outros cometessem.
Ana Rita Alves

1 comentário:

pitanguinha disse...

O tempo é escasso e a marcha vagarosa! Deduz-se do seu texto. Pense e verifique o impensável: - a insegurança e a humilhação é resultado de um "sem consciência" que percorre este país!
Não se trata de inconsciência mas de "sem consciência". Porque, não se nega o sentido do conhecimento imediato, mas porque intencionalmente se o ignora!
Qual Dorothy e o seu cãozinho ToTo, tentamos fugir do vizinho mau, mas acabamos por ter que viver nesta floresta encantada de espantalhos sem cabeça, leões que cantam, homens de lata, etc.etc.

Que não se perca a falta de consciência!