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sábado, 21 de maio de 2011

CASTELO: DISCURSO DO PRESIDENTE JOÃO GRILO

O espaço em que nos encontramos teve a sua primeira pedra lançada no dia 6 de Fevereiro de 1294 por ordem de D. Lourenço Afonso, Mestre da Ordem de Avis – no reinado de D. Dinis – e foi concluído em 24 de Fevereiro de 1298, ou seja 4 anos mais tarde.

Desde então, passaram mais de 700 anos. 700 anos da vida de um povo foram vividos a olhar para estas muralhas. 700 anos da vida de um povo foram vividos dentro destas muralhas. O espaço passou por muitas transformações, algumas ainda bem vivas na memória de muitos, outras que se foram perdendo no tempo.

Ao apresentarmos hoje um projecto de requalificação do espaço público e iluminação do castelo do Alandroal, estamos conscientes da responsabilidade que esta acção acarreta e do importante que é aproximar novamente este espaço da vida dos alandroalenses, dotando-o das infra-estruturas necessárias mas sem beliscar a sua essência.

Penso que o projecto do arquitecto Manuel Aires Mateus – que daqui a pouco nos fará uma breve apresentação do mesmo – capta na perfeição este espírito e é para nós um prazer enorme tê-lo a trabalhar connosco.

A riqueza do património material do concelho do Alandroal – com destaque para os “três castelos” – é tão evidente, quão evidente é o estado de degradação e abandono em que o mesmo se encontra. Não apontamos o dedo nem procuramos culpados. Estamos virados para o futuro e para o que podemos fazer daqui para a frente.

Este executivo que tenho a honra de liderar decidiu definir como prioridade contrariar esta realidade por todos os meios ao nosso alcance. Para além do castelo do Alandroal, estamos apostados em reabilitar a Fortaleza de Juromenha, vamos intervir em breve na Capela da Boanova, estamos a estudar possibilidades para o Castelo de Terena, estamos a preparar a requalificação da emblemática Fonte Monumental, a “Fonte das Bicas”, estamos a rever a Carta Arqueológica do Concelho e temos projectos para S. Miguel da Mota e para o Endovélico.

Não o fazemos por vaidade ou com o simples objectivo de embelezar monumentos para mostrar ao visitante. Preservar o património é, em simultâneo, dar-lhe novas funções e vivências para que este possa continuar a cumprir a sua missão, como o tem vindo a fazer ao longo dos séculos: ser espaço definidor de identidades, espaço de conhecimento, de partilha e de cultura.

Porque uma das nossas mais fortes apostas é na cultura. Não naquela visão redutora de cultura como “oferta cultural”. Não naquela visão redutora de cultura como uma forma de gastar o dinheiro dos impostos em actividades e eventos com fins recreativos. Mas sim numa visão de cultura como a expressão da memória de um povo, da sua história, do seu património, das suas raízes e do modo com estes se entrecruzam na sua vivência diária.

Uma visão de cultura como expressão da identidade de um povo e com justificado motivo de orgulho local. Uma visão de cultura como factor de diferenciação e motor de desenvolvimento. Porque é também de desenvolvimento sustentado que falamos. Apostar no património material e imaterial do concelho como um produto de elevada qualidade e dinamizar os espaços com vida cultural aumenta a atractividade e o número de visitantes, com reflexos directos no turismo e na economia local.

Por isso, não nos limitamos hoje a apresentar esta importante obra. É também nosso objectivo que este espaço venha a acolher, já no verão do próximo ano, um importante festival de música com características únicas no país e com o potencial de envolver toda a região. Um festival que vá de encontro aos munícipes, entrando na vida do concelho com a naturalidade de algo que aqui tem origem e não como algo importado de fora. Um festival que aposta na complementaridade de dois géneros musicais fundamentais da identidade cultural do mundo ocidental: a música erudita e o jazz, mas onde projectos de cariz mais popular também terão o seu espaço. Um festival que nasce no castelo mas que se estende até ao céu estrelado de uma qualquer das aldeias do concelho. Um festival onde a ópera chega ao público com toda a magia do teatro musical mas com proximidade e envolvência. Um festival que vai muito além do momento em que está a acontecer e que ao longo do ano envolve os músicos da região em acções de formação e de divulgação contribuindo para o seu desenvolvimento musical, ao mesmo tempo que trás até ao concelho residências de artistas consagrados ou estágios de jovens músicos de todo o país. Um evento para o qual temos a sorte de contar com a direcção artística do maestro Pedro Moreira, que entre outros aspectos relevantes de um vasto currículo na música, desempenha actualmente o cargo de director da Escola Superior de Música de Lisboa (e que temos o prazer de ter aqui connosco hoje).

E agora a pergunta que todos se colocam: muito bem, mas onde está o dinheiro para fazer tudo isto? Bem, acreditamos que com os patrocínios certos e os financiamentos disponíveis este festival será uma realidade sem implicar um avultado investimento da autarquia. Trabalhar bem e com pouco dinheiro é o nosso dia-a-dia! Aliás, permitam-me que clarifique algo que também anda em muitas cabeças: sim, o espectáculo de hoje é totalmente financiado por fundos comunitários a que o município tem acesso para a dinamização dos castelos e apenas para esse fim!

Quero ainda salientar que não ficamos por aqui, no que à cultura diz respeito. Vamos arrancar já com uma “Agenda Cultural de Verão” que vai trazer animação ao coração da vila. Quero anunciar também aqui hoje, o regresso do Fórum Cultural à actividade regular já em Setembro próximo, mas em moldes muito diferentes dos anteriores. Em primeiro lugar, com uma aposta clara em actividades que envolvam as pessoas muito para além do papel de espectador passivo. Em segundo lugar com o reavivar de tradições adormecidas. E em terceiro lugar, com a aposta na qualidade e na excelência. Em Setembro vamos relançar a programação regular de cinema com um novo sistema digital 3D.

Por fim, permitam-me alguns agradecimentos: À Sra. Directora Regional de Cultura e a toda a sua equipa, aqui representada pelo Dr. António Carlos Silva. Sem a estreita colaboração que sempre nos proporcionaram neste e noutros projectos em que estamos envolvidos, a meu ver exemplar naquilo que deve ser o trabalho entre os serviços desconcentrados da administração central e as autarquias. Ao arquitecto Manuel Aires Mateus, por ter abraçado este projecto sem hesitar e pelo modo como se está a envolver com este Concelho. Ao maestro Pedro Moreira, pela total disponibilidade e grande entusiasmo para dirigir o festival que hoje apresentamos. Ao José Pedro Gil, por entre outras muitas qualidades, ter o dom de saber juntar as pessoas certas para que as coisas aconteçam e por fazer o favor de ser um grande amigo nosso. A toda a minha equipa política e técnica que acompanhou de forma inexcedível todo o processo que nos trouxe até aqui, hoje. Recordo que este é um projecto idealizado, projectado e candidatado na sua totalidade no decurso deste mandato! Ao Mário Laginha e aos Aduf que vamos ter o prazer de escutar daqui a pouco.

A todos os presentes, porque é desse lado que vem a força para continuarmos com determinação no rumo que definimos para o concelho. Quero lembrar-vos que todo este trabalho tem como objectivo final desenvolver o património mais importante de todos: as nossas gentes!

(Foto: Rádio Campanário)

terça-feira, 3 de maio de 2011

MUDA DÁ LIBERDADE!


À semelhança do que aconteceu por altura das eleições presidenciais, lembramos que o Movimento Unidade e Desenvolvimento de Alandroal (MUDA) foi criado para constituir uma resposta válida e credível aos problemas e desafios que o concelho enfrenta.
Lembramos ainda que o âmbito do movimento é LOCAL, e é nesse âmbito que foi validado pelo voto dos eleitores e que se tem vindo a afirmar como a tendência que mais facilmente coloca os interesses do concelho acima de todos os outros, congregando um conjunto de pessoas e vontades que melhor resposta podem dar aos desafios que o concelho enfrenta. Sendo certo que todos aqueles que partilhem destes princípios têm no movimento um espaço para o demonstrarem a qualquer momento. Todos são bem-vindos quando se trata de arregaçar as mangas para lutar pelo concelho.
O Movimento foi criado fazendo assentar os seus princípios na pluralidade de opções e tendências, e acolheu de braços abertos apoiantes de todos os quadrantes políticos ou sem opção partidária.
Neste contexto, não faria sentido que este movimento tomasse uma posição pública de apoio a um candidato em particular nas próximas eleições presidenciais.
Assim, deixamos claro que:
1) O MUDA NÃO APOIA QUALQUER PARTIDO POLÍTICO NAS ELEIÇÕES LEGISLATIVAS DE 5 DE JUNHO.
2) Os apoiantes do movimento devem sentir-se TOTALMENTE LIVRES PARA APOIAR O PARTIDO COM QUE MAIS SE IDENTIFIQUEM.
3) NENHUMA POSIÇÃO PÚBLICA DE QUALQUER APOIANTE OU DIRIGENTE VINCULA O MOVIMENTO de qualquer forma.

Enquanto Movimento, contamos trabalhar da melhor maneira possível com todos os partidos na afirmação dos interesses do concelho.

domingo, 1 de maio de 2011

MUDA INFORMA

SOBRE A BANDA

Como é do conhecimento geral, as celebrações do 25 de Abril ficaram este ano marcadas pela ausência da Banda da Escola de Música do Centro Cultural de Alandroal no acompanhamento ao executivo camarário nas cerimónias de hastear da bandeira nas sedes das juntas de freguesia do concelho. A banda esteve presente apenas no hastear da bandeira na sede concelho, deslocando-se em seguida para Bencatel para participar nas festas daquela localidade. O presidente e os vereadores deslocaram-se a todas as sedes de freguesia onde a cerimónia se realizou sem acompanhamento musical. Chegados à sede da junta de Freguesia de Alandroal (Nossa Senhora da Conceição) no encerrar do percurso, como é hábito, encontraram as bandeiras já desfraldadas e a junta encerrada.

O presidente, em conversa com os músicos e elementos da direcção da banda imediatamente após o hastear da bandeira, teve oportunidade de manifestar o seu profundo desagrado com esta atitude que não dignifica a banda perante todos os munícipes deste concelho que em larga medida contribuem para a sua sustentabilidade.

Nunca antes a banda tinha deixado de estar presente nos momentos solenes da vida deste concelho, conferindo-lhes, dessa forma, a dignidade que merecem.

Ao assumir um compromisso fora do concelho para este dia e esta hora, estava a direcção do Centro Cultural de Alandroal plenamente consciente que deste modo não poderia honrar este compromisso que tem para com a Câmara Municipal, mas sobretudo, para com a população do concelho, que suporta com os seus impostos o pagamento dos vencimentos do mestre e dos professores, dos instrumentos e das fardas, das instalações e dos transportes e outros apoios de que a banda tem vindo a beneficiar. A Direcção do Centro Cultural está, com esta postura, a deixar que outros interesses menos claros se sobreponham aos deveres da colectividade.

Este comportamento é revelador do clima de confronto que a Direcção do Centro Cultural decidiu adoptar perante este Executivo.

A Câmara Municipal, na pessoa do seu Presidente, tem feito um grande esforço para celebrar com o Centro Cultural um protocolo de colaboração que permita a continuidade da banda, ao mesmo tempo que garanta que a mesma esteja ao serviço das actividades e festividades do concelho.

É aceitável que uma banda que é suportada quase em exclusivo com dinheiros públicos ainda cobre às comissões de festas 3500 euros para actuar em Terena na Festa da Boa Nova? Ou 1200 euros para actuar na Aldeia da Venda na Festa da Santa Cruz? Quando outras bandas de fora do concelho apresentam orçamentos bastante mais baixos? Por que razão sofreram estes orçamentos aumentos significativos após o início de funções deste executivo ao ponto de no ano passado a banda não ter estado em praticamente nenhuma das festividades do concelho? Pode esta Câmara Municipal financiar por um lado toda a actividade de uma banda e escola de música e por outro ver-se obrigada a subsidiar as colectividades para poderem pagar as actuações dessa mesma banda de música? Onde acaba a dedicação à causa do associativismo, da educação pela música e do espírito de participação cívica e começa o negócio?

Depois de vários meses de negociações de um protocolo, de avanços e recuos e outros episódios menos dignificantes que um dia serão conhecidos em toda a sua extensão, parece ter-se chegado a um impasse.

Saliente-se que tal protocolo nunca existiu antes, sendo a banda apoiada pontualmente quando havia necessidade através de subsídios e não tendo, como tal, qualquer compromisso assumido com a Autarquia. Ora, esta situação é, no quadro legal actual, absolutamente insustentável. Para que a Câmara possa apoiar a banda o Centro Cultural deve reunir alguns requisitos legais e ao mesmo tempo assumir o compromisso de que os dinheiros públicos que lhe são entregues são de algum modo replicados e devolvidos à comunidade.

Na curta troca de impressões do dia 25 de Abril, o Presidente da Câmara Municipal disponibilizou-se para mais uma vez reunir com a direcção para tentar ultrapassar esse impasse e fechar um acordo.

Por fim, é importante clarificar também tudo o que tem sido dito em relação à situação do mestre. O mestre é desde há vários meses sabedor do imperativo legal a que a Câmara está sujeita de fazer cessar o seu e outros contratos (cinco) que se encontram em igual circunstância. Também desde essa altura está informado que antes de esse contrato terminar seria convidado a assinar um novo contrato. Que fique claro que nunca esta câmara teve intenção de dispensar os serviços do actual mestre da banda. Qualquer outro aproveitamento desta questão só pode ter como objectivo contribuir para a desinformação e manipular os sentimentos das pessoas, em especial dos músicos, que sendo na sua maioria muito jovens, são também mais influenciáveis.

Por fim, para os que querem ver na postura que a Câmara tem adoptado em relação a esta questão sinais de atitudes persecutórias ou de ingerência na vida de uma colectividade, que fique claro que não são tais acusações que nos vão desviar do caminho da justiça, da verdade e do rigor na aplicação dos dinheiros públicos em prol do desenvolvimento social e cultural deste concelho.

A Câmara Municipal de Alandroal pede a todos os munícipes, em especial a todos aqueles que estão, estiveram, ou pensam vir a estar ligados à banda e que se interessam por este assunto que se informem o melhor possível de tudo o que aconteceu e está a acontecer, sendo certo que o clima de boato e contra-informação instalado só beneficia quem de facto está interessado em destruir. A Autarquia e o seu executivo estão, como é seu apanágio e obrigação, na posição diametralmente oposta.

Fonte: Gabinete de Imprensa do Município de Alandroal