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terça-feira, 26 de março de 2013

NOTÍCIAS CMA


Alandroal: Associações Reeditam Feira de São Bento

Festividades Realizam-se Já nos Próximos dias 30 e 31 de Março

 
Depois de ter sido interrompida por largos anos, a tradicional Feira de São Bento, no Alandroal, volta este ano a ser reeditada, fruto da vontade e trabalho de várias associações do Alandroal. Clube de Caça dos Bombeiros de Alandroal, Grupo de Forcados do Aposento de Alandroal, Alandroal United, Tertúlia Tauromáquica de Alandroal Subir ao Estribo, Motorklub de Alandroal e Bombeiros Voluntários de Alandroal, uniram-se para fazer da extinta feira da Páscoa de Alandroal uma realidade novamente.    
A Feira realiza-se ao longo de dois dias, 30 e 31 de Março, e pretende ser o mais abrangente possível, mas mantendo o espirito que a caracterizava. As actividades iniciam-se no dia 30, pelas 10:00 horas, com a realização de Jogos da Malha. Pelas 14:00 horas, haverá uma mostra equestre, seguida de uma garraiada ao uso da região. Mais tarde, pelas 22:00 horas, haverá ainda tempo para um baile com o artista local Luís Fernando, seguido de discoteca com DJ’s locais.
No dia seguinte, domingo, a organização promove ainda um torneio de Tiro com Arco e uma garraiada. Ao longo do fim-se-semana será ainda possível visitar uma exposição das viaturas dos Bombeiros Voluntários de Alandroal e a Igreja de São Bento, que terá as suas portas abertas a todos os visitantes.
A Câmara Municipal de Alandroal, que apoia a iniciativa, salienta a vontade conjunta de trabalhar em prol de um mesmo fim, demonstrada por estas associações, revitalizando uma tradição do Alandroal que estava perdida há já alguns anos.
Fonte: Gabinete de Imprensa C.M.A.

sexta-feira, 22 de março de 2013

NOTÍCIAS CMA


Alandroal: Município Apoio Bombeiros na Realização de Obras no Quartel

 

Desde que foi construído em, em 1995, que o quartel dos Bombeiros Voluntários de Alandroal espera pela conclusão dos arranjos exteriores que ainda se encontram em terra batida, o que dificulta a operação dos veículos e o acesso ao salão, que é utilizado para os mais variados fins públicos.

No seguimento da estreita colaboração existente entre a Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Alandroal e a Câmara Municipal, os serviços da autarquia elaboraram um projecto técnico para a execução destas obras e foi aprovado um subsídio extraordinário de 39.930,58 € destinado a suportar a execução das obras na sua totalidade.

O município também renovou recentemente o protocolo de colaboração com os bombeiros para a Equipa de Intervenção Permanente (EIP), através do qual suporta 50% dos vencimentos dos 5 membros da equipa.

Considerando prioritário o apoio contínuo a uma instituição cuja acção é fundamental para a qualidade de vida de todos os munícipes, o município está a preparar uma candidatura, através da CIMAC, para o financiamento de equipamentos de uso individual no combate aos fogos para equipar os bombeiros do Alandroal.
 
Fonte: Gabinete de Imprensa C.M.A.

quarta-feira, 20 de março de 2013

NOTÍCIAS CMA


Mercado de Produtos Regionais Vai Dinamizar Praça da República Aos Sábados

 
A Praça da República vai passar a acolher o Mercado de Produtos Regionais, durante os meses da primavera e primeiras semanas do verão, com o objectivo de dinamizar o centro da vila de Alandroal. Desta forma, aos sábados de manhã, sempre a partir das 07:30 horas, o centro da Vila de Alandroal vai ser espaço para típico dos mercados de rua.  

 A decisão surge na sequência da realização dos mercados tradicionais na Praça da República por ocasião da IV Mostra Gastronómica do Peixe do Rio, que muito agradou aos comerciantes e à população em geral. Assim, já no próximo fim-se-semana e até ao início do verão, não deixe de passar pela Praça da República de Alandroal, onde poderá encontrar legumes frescos, queijos, enchidos ou peixe do rio, e fazer as suas compras de fim-de-semana.
 
Fonte: Gabinete de Imprensa C.M.A.

sábado, 16 de março de 2013

ENTREVISTA DE JOÃO GRILO - CONCLUSÃO


Em recentes declarações, esclareceu que voltaria a candidatar-se, se para tal reunisse o consenso do MUDA. Dando como certa tal anuência e sabendo as dificuldades que se prevêem para os próximos anos, dada a contingência da extinção do Concelho (vide o que sucedeu recentemente com as freguesias), não teme que um segundo mandato possa vir a colocá-lo como o último Presidente da Câmara do Alandroal?

Penso que a fusão de municípios fará sentido em áreas densamente povoadas, onde quase não se percebe onde acaba um concelho e começa outro – como as áreas metropolitanas de Lisboa e Porto – onde seria possível uma grande poupança com grandes ganhos de escala já que existem maiores dinâmicas empresariais e da sociedade civil e onde os serviços do Estado estão bem presentes. Nos territórios do interior, onde as câmaras municipais, mercê do desinvestimento de sucessivos governos, são a única resposta para as populações e ao mesmo tempo as grandes impulsionadoras das dinâmicas locais, extinguir municípios é condenar os territórios a sofrerem uma desertificação ainda mais rápida e destrutiva.
E não podemos aceitar argumentos de poupança, já que o esforço do Estado é mínimo comparando com tudo o que se consegue aqui fazer pela vida das pessoas com esse dinheiro. Os males da nação estão bem identificados no buraco da Madeira, no défice crónico e crescente das grandes empresas públicas, nas PPP’s e nos BPN’s, entre outros. O dinheiro que aqui recebemos do estado é mais do que devido. Não só resulta dos nossos impostos com também nos nossos territórios estão os recursos naturais, as áreas protegidas, os montados, as barragens, a RAN e a REN... As populações do interior pagam um preço elevado para que Portugal mantenha bons indicadores ambientais e o único que pedem em troca é que sejam compensadas na devida medida em relação à riqueza que produzem e que encerram e não que sejam olhadas com a desconfiança de quem está a pedir para gastar o que outros pagaram em impostos.
Para alem disso, nestes  territórios que estão a ser abandonados à sua sorte está tudo o que Portugal tem de único e irrepetível em qualquer lado do mundo e com potencial para ajudar a construir um futuro sustentável. Está o que resta de cultura e tradições milenares de um modo de vida em equilíbrio com a Natureza, que para além de ser factor decisivo de identidade e afirmação é um factor económico de peso.
Temo que o Alandroal possa vir a estar numa posição mais fragilizada do que devia no momento em que a questão vier um dia para cima da mesa. A sucessiva falta de estratégia de desenvolvimento e a situação de endividamento crónico em que ficámos retira-nos alguma capacidade de argumentação.
É por isso que é importante mostrarmos hoje que sabemos para onde queremos ir, que temos parcerias estratégicas com os nossos vizinhos que ajudam a construir esse caminho. Que temos valor e potencial económico. Que somos rigorosos na aplicação de fundos comunitários. Que fazemos trabalho sério e consistente e que, como tal, devemos ser respeitados pelo poder central e por todos os organismos do Estado. Temos que mostrar que vale a pena continuar a pensar o Alandroal como um território com identidade, potencial e futuro. E que há lugar neste processo para todos os que queiram dar o seu contributo.
Esta pode muito bem ser a nossa última oportunidade de mostrar isso e fazer um ponto de viragem neste concelho. Temos que mostrar que a nossa continuidade enquanto concelho não pode ser posta em causa. E se não o conseguirmos, seremos todos responsáveis. Uns mais que outros, é claro, em função das responsabilidades e do poder de intervenção. Portanto a questão de fundo é quem se vai demitir de fazer parte deste processo!


A terminar: dê-nos a sua opinião sobre o papel dos blogues e sites do Alandroal e, se assim o entender sobre o papel que o Al Tejo tem vindo a desenvolver.

Os blogues podem ser importantes meios de comunicação, e é por isso que desde o início deste mandato, a Câmara Municipal adoptou a postura de enviar informação da actividade do município para os blogues mais conhecidos da sede de concelho colocando-os em pé de igualdade com qualquer  meio de comunicação social, até porque, esses meios não existem no concelho e estes acabam por ser uma importante fonte de informação.
Entre as pessoas ou instituições e os meios de comunicação social, por força do seu código deontológico, existe, regra geral, um respeito mútuo e uma partilha de responsabilidades que funciona como garantia dos direitos e liberdades e da livre expressão de cada um. Nos blogues isto não está assegurado. As únicas garantias que podem existir são as que resultam dos critérios, mais ou menos claros, do editor.
Não nos podemos esquecer que os direitos e liberdades de uns terminam necessariamente onde começam a colidir com os direitos e liberdades de outros.
Admiro e respeito todas as pessoas que nos blogues dão a sua opinião e escrevem o seu verdadeiro nome por baixo. Como alguém disse um dia, “posso não concordar com o que dizes, mas bater-me-ei até ao fim pelo teu direito a dizê-lo!”
Infelizmente para todos nós, noto que os nossos blogues estão longe de cumprir esta missão.
Ao contrario do que muitos defendem, o  anonimato não serve a livre expressão.
A pretexto da “liberdade”, da “livre expressão” ou da “imparcialidade” não se pode dar espaço às mais cobardes formas de espalhar o boato, a mentira e a difamação.
Os blogues perdem assim o seu carácter informativo e transformam-se  em espaços e instrumentos que contribuem activamente para um ambiente revanchista, destrutivo, de “bota-abaixo” e de destilar de ódios que só serve interesses obscuros mas ao mesmo tempo identificáveis.
Ninguém que queira fazer um trabalho de comunicação sério pode deixar-se usar como instrumento desta estratégia.
Quem quer ser respeitado deve dar-se ao respeito. O editor não se pode distanciar de qualquer conteúdo do seu blogue ainda que seja um comentário. Se os blogues querem fazer um trabalho sério e ser respeitados por isso comecem por dar o exemplo: Acabem de vez com comentários anónimos e de gente que não se identifica publicamente.
Portanto, penso que o AL-TEJO tem sido um importante meio na difusão do concelho e do que nele acontece, que o tem feito de forma imparcial e abrangente, que dá espaço a opiniões diversas e bem identificadas e que já fez um importante percurso na forma de lidar com os comentários anónimos. Falta dar mais um passo. Falta acabar de vez com esses comentários que poluem uma imagem quase irrepreensível. Deixo aqui esse desafio ao editor.


Caso o entenda necessário e  se  for de acrescentar e informar algo
mais sobre o Concelho, faça o favor. Via aberta.

Muito se tem feito neste mandato para colocar o concelho no rumo certo. Mas é incomparavelmente mais o que está por fazer do que aquilo que está feito.
Não temos medo da crítica. Vivemos bem com ela e é ela que nos ajuda a melhorar. Acedi a dar esta entrevista neste espaço sabendo que ela ia ser alvo de grande escrutínio local, e é perfeitamente identificável o que são críticas sérias, consistentes e com fundamento – porque sabemos que erramos e nem sempre conseguimos ver todos os lados de um problema – e o que é politiquice baixa e fundamentalismo bacoco. É esta última parte que está a mais nos blogues e no nosso dia a dia.
Somos uma comunidade pequena e frágil que deve estar fortemente unida nos desafios que tem pela frente.
Aproxima-se um momento eleitoral que vai ser vivido no mais difícil cenário de crise e dificuldades de que temos memória recente.
Os alandroalenses vão ter que fazer escolhas. E vão ter que escolher entre opções de futuro bem diferentes e bem identificadas.
Será mais um momento para o Alandroal demonstrar a sua cultura democrática e tenho a certeza que o vamos fazer da melhor forma, mas deixo um apelo.
Não deixem que a politica vos divida. Não deixem que alguns políticos vos dividam. Não deixem que vos coloquem uns contra os outros. Não deixem que a politica crie barreiras entre familiares, vizinhos, colegas de trabalho, etc.
Tenham “adversários políticos”, não tenham “inimigos políticos”.
Critiquem, perguntem, interessem-se! Queiram saber! Informem-se a fundo. Não se deixem ficar pela superfície e pelo “diz que disse”.
E depois façam as vossas opções, votem em consciência.
Uma comunidade distingue-se pelos valores que pratica e não pelos que apregoa.
Penso que o crescimento deste espírito no concelho tem sido um dos grandes contributos do MUDA e é também por aqui o Alandroal deve aproximar-se mais do “quem de ti se fiar não o enganes, lealdade em todas as cousas”.

quarta-feira, 13 de março de 2013

NOTÍCIAS CMA


Alandroal: Município Candidata Novos Projectos de Valorização do Património do Concelho
A Câmara Municipal de Alandroal aprovou recentemente, em reunião ordinária, uma candidatura para restauro e conservação da Fonte Monumental da Praça da República de Alandroal, também conhecida como “Fonte das Bicas”.

O projecto tem como objectivos principais recuperar a estrutura da fonte, construir réplicas das duas estátuas que foram roubadas, implementar um sistema de circulação da água em circuito fechado, um sistema de iluminação cénica e ainda melhorar a drenagem de águas na zona circundante à fonte. A obra foi candidatada ao Proder, acção 3.2.1 – Conservação e Valorização do Património Rural – e tem um investimento próximo dos 85 mil euros, financiado a 60%.

Além disso, o Município de Alandroal tem já assegurado financiamento comunitário para a realização de um filme promocional dedicado à história, arqueologia, etnografia e cultura do concelho. O documentário, intitulado “Terras do Endovélico”, é da responsabilidade do reconhecido realizador José Meireles e será apresentado ao público em Julho, no Alandroal, por altura do congresso científico dedicado ao estudo desta divindade com culto pré-romano e romano exclusivo do concelho (São Miguel da Mota – Terena). O filme tem ainda o objectivo de dar suporte à candidatura do património etno-arqueológico do concelho a Património Europeu/Património da Humanidade.

Fonte: Gabinete de Imprensa C.M.A.

sexta-feira, 8 de março de 2013

ENTREVISTA DE JOÃO GRILO AO "TERRAS BRANCAS"




João Maria Aranha Grilo, professor. Em 2005 deixou o ensino para assumir a vice-presidência da Câmara Municipal de Alandroal, na altura, pelo PS. Divergências com o então presidente, levaram João Grilo a não terminar o mandato para o qual tinha sido eleito. Juntamente com outros alandroalenses, formou o Movimento Unidade e Desenvolvimento de Alandroal (MUDA), movimento pelo qual concorreu às autárquicas 2009, acabando por vencer por 7 votos! Em final de mandato, e enquanto decorre a IV Mostra Gastronómica do Peixe do Rio, falei com o actual presidente da Câmara Municipal de Alandroal, em mais um “Encontros no Alto da Praça”.


1.      João Grilo, a terra e a água estão intimamente ligados ao concelho do Alandroal. Grande extensão de terra, um dos maiores concelhos do Pais e, agora, muita água, mercê da construção da Barragem do Alqueva. Comecemos por falar da terra, do espaço que gere, dos parcos recursos financeiros, das diferentes freguesias do concelho, e da aposta no desenvolvimento do interior alentejano. Presidente, a tarefa não tem sido fácil?

Não, não tem sido fácil. Sobretudo pelo ponto de partida de onde fomos obrigados a começar. Mas por isso mesmo temos mostrado que somos capazes de gerir o município no contexto mais difícil das últimas décadas. Estamos a pagar dívidas, a equilibrar as contas, a fazer obras, a reorganizar a câmara, a melhorar respostas sociais e educativas. Estamos a provar que é possível fazer muito com muito pouco e que uma estratégia concertada de desenvolvimento sustentável pode fazer crescer o concelho ao longo do tempo.


2.      Sendo este um dos maiores concelhos do Pais, o Alandroal está também adjectivado de ser um dos mais pobres. Que medidas tomou, está a tomar ou pensa vir a tomar para mudar esta opinião?

Costumo dizer que não somos tão pobres como nos pintaram no passado nem tão ricos como nos quiseram fazer crer há pouco tempo. Somos um concelho com um grande potencial agrícola e agro-pecuário que se pode traduzir também numa grande riqueza agro-industrial, assim haja investimentos. Temos potencial mineiro como já aconteceu no passado e pode voltar em breve a acontecer com as prospecções que estão em curso. Temos potencial para as energias alternativas, designadamente a termo-solar, com alguns interesses manifestados. E temos todo o potencial turístico que proporciona uma natureza quase intacta. A câmara apostou na criação de condições favoráveis à fixação de empresas, ajudou a criar uma associação empresarial e está a promover o contacto entre empresários, como é exemplo a parceria recente com Olivença. O momento não é o melhor e os empresários estão com uma atitude defensiva resultado do sentimento que se vive no país e na Europa. Por exemplo, só ao nível do turismo temos projectos aprovados na câmara – e alguns com financiamentos comunitários garantidos – que triplicam o número de camas do concelho. É preciso ultrapassar esta instabilidade e voltar a acreditar no futuro da região.

3.      Nos Censos de 2011, o concelho de Alandroal apresenta uma perda de mais de 11% da população residente, em comparação com os Censos de 2001. Que comentário lhe merece estes números? Como se pode inverter esta tendência?

Este é um cenário comum a todo o interior do país. E quando falo de interior estou já a incluir quase dois terços do território. É a prova de que não existem politicas de nível nacional destinadas a combater esta tendência e as politicas dos municípios também nem sempre foram as melhores. Apostou-se demasiado no “betão” que melhora o sentimento de “qualidade de vida” das pessoas mas que só por si não é suficiente para as segurar no território. O factor crítico para fixar pessoas é o emprego e hoje as autarquias não podem continuar a pensar na criação de emprego através delas próprias. Os autarcas tem que ser cada vez mais agentes de desenvolvimento local, promotores das dinâmicas económicas e empresariais e das potencialidades dos seus concelhos e cada vez menos construtores de rotundas. Dá mais trabalho e menos garantias de “retorno eleitoral” imediato, mas será fundamental para o futuro. Por outro lado, é preciso não esquecer que se não fosse a grande vontade dos municípios de segurar e atrair população o cenário ainda seria bem pior. Enquanto o país não assumir como estratégico o desenvolvimento equilibrado de todo o território com politicas sérias, concretas e contínuas, será muito difícil que os municípios, só por si, o consigam.


4.      Concelho raiano, com fortes ligações à Estremadura espanhola, pode encontrar aqui o(s) parceiro(s) para o desenvolvimento da região. O recente “piscar de olhos” a Olivença, com a assinatura do Convénio de colaboração entre os dois concelhos, é um sinal que é este o caminho a seguir?

Sem dúvida. Com Olivença temos uma história e uma cultura em comum que é importante valorizar, e do lado de Olivença existe um grande interesse em valorizar esse legado e em tudo o que é português. Mas também temos uma proximidade territorial muito grande. Os dois concelhos estão separados apenas pelo Guadiana/Alqueva e Juromenha e Villareal estão frente a frente e representam a porta de entrada no Alqueva para os dois países. O todo é sempre maior que a soma das partes, e Alandroal e Olivença, em conjunto, representam um potencial económico, turístico e cultural que deve ser profundamente explorado. Queremos apresentar aos dois países um produto turístico único, baseado na história, na cultura e no imaginário raiano que permita conjugar experiências únicas com o rio pelo meio. Esta ideia tem um grande potencial de dinamização económica dos dois territórios e é uma das nossas grandes apostas.

5.      E do “lado de cá”, com os concelhos lusos vizinhos, a cooperação tem sido a desejada?

Do lado de cá colaboramos, conversamos, mas depois cada um refugia-se ou vê-se forçado a refugiar-se na resolução dos problemas do seu território e no muito que há por fazer e as ideias de colaboração avançam lentamente ou vão ficando para trás. Há tempos chegou a estar em cima da mesa a ideia de uma “Associação de Municípios da Zona dos Mármores” que depois de muita discussão não saiu do papel. É uma pena, porque todos tínhamos muito a ganhar com a escala que isso representava. Temos projectos comuns, como a “Rota Tons de Mármore” que envolve os 5 municípios e a Entidade Regional de Turismo que pode ser apontada como exemplo de colaboração a seguir. Talvez as dificuldades nos obriguem a todos a colaborar mais no futuro.

6.      A água, a muita água da Barragem do Alqueva que banha grande parte do concelho de Alandroal, origina uma aposta forte no turismo. A IV Mostra Gastronómica de Peixe do Rio, que está a decorrer até dia 10, é disso um exemplo. Quais as expectativas, assim como as novidades para este certame?

As expectativas são de que apesar das dificuldades que estamos a viver, os restaurantes voltem a estar cheios nesta altura, ajudando a manter um sector que está a passar por dificuldades. Até porque o peixe do rio tem a vantagem de ser um produto de grande qualidade e interesse gastronómico mas também, em regra, bastante acessível no que diz respeito a custos e os preços praticados nos nossos restaurantes durante a mostra são a prova disso. Quanto a novidades, a principal é a criação de um centro de acolhimento na Praça da República onde os visitantes podem encontrar toda a informação sobre a mostra, as actividades, os restaurantes aderentes, a que distancia ficam, quais os pratos de que dispõe e um apoio a reservas de moda tentar distribuir os visitantes por todos os restaurantes de forma equilibrada e evitar filas de espera em alguns. Neste espaço também convidamos os visitantes a conhecerem os produtos regionais do concelho.

7.      Com a aposta neste evento, pretende tornar o Alandroal num destino gastronómico?

O Alandroal tem um conjunto de restaurantes com grande qualidade que o tornam um interessante destino gastronómico ao longo do ano. Por todo o concelho há também lugares menos conhecidos mas onde se pratica uma cozinha muito genuína e muito interessante. Com este evento procuramos associar essa procura à grande tradição do concelho em relação ao peixe do rio e mostrar tudo o que temos de melhor para diferentes gostos e carteiras mas sempre com garantia do que é genuíno e autêntico. 


8.      A aposta é bastante diversificada, alem da gastronomia, o Alandroal proporciona também amplos locais de lazer. O Guadiana mudou de “cara”, agora está bem mais cheio, ultrapassou inclusive as margens e passou a ser um local bastante procurado pelos populares para gozarem algum do seu tempo livre. É objectivo do actual executivo proporcionar mais e melhores condições, tais como melhores acessibilidades, pista de pesca desportiva, pista de canoagem, etc…, a quem vos visita?

Sim, o potencial para desportos e lazer ligados à água é muito grande e está a começar a ser explorado. E esse potencial existe não apenas no Alqueva mas também na barragem do Lucefecit. Em Juromenha já está instalada uma empresa de animação turística dedicada a estas actividades e há espaço para se fazer muito mais. Temos em preparação a criação de uma pista de pesca em Juromenha e planos para duas áreas recreativas e de lazer, Águas Frias (Rosário) e Azenhas D´El Rei (Montejuntos) que aguardam investidores privados.


9.      O fomento da actividade desportiva, em especial com o incremento dessa actividade nas diferentes colectividades das freguesias rurais, é notório. Curiosamente, o grande investimento em equipamentos desportivos, com a conclusão do Complexo Desportivo de Alandroal, acabou por acontecer na sede de concelho, onde a actividade desportiva oficial é praticamente nula. Como justifica esta medida, e de que forma pensa dinamizar este espaço?

O município apoia o desporto onde há vontade local para que ele se pratique e, por isso, temos apoiado os projectos das colectividades em todo o concelho. Infelizmente, a política de investimentos em equipamentos desportivos não acompanhou as vontades locais e concentrou-se no Alandroal. O que se gastou no Complexo Desportivo do Alandroal chegava e sobrava para criar melhores condições para a prática desportiva em Santiago Maior, Terena, Rosário e Alandroal. Temos que olhar em frente e procurar corrigir essas assimetrias, embora o momento seja difícil. Quanto ao Alandroal, o nosso objectivo é colocar a infraestrutura ao serviço da prática desportiva do maior número de munícipes possível. Neste momento realizam-se ali treinos e jogos, do INATEL (Alandroal United), dos escalões de formação (Terena e Rosário) e dos veterenos. Temos prevista ainda a criação de uma escola de rugby em colaboração com o Clube de Rugby de Juromenha.


10.   2013 é ano de eleições Autárquicas. Mais lá para o final do ano, os actuais executivos vão ser “avaliados”, e o Município de Alandroal não será excepção. Qual o balanço que faz do presente mandato à frente do município alandroalense?

O mandato ainda não chegou ao fim, e no tempo que ainda falta pretendemos lançar mais alguns projectos e iniciativas que, a somar ao trabalho já desenvolvido, nos vão permitir considerar que os grandes objectivos para o mandato foram alcançados. O mais importante deste mandato era consolidar as contas, reestruturar a câmara, recuperar a credibilidade interna e externa da autarquia e lançar as bases de um desenvolvimento sustentado. Penso que esse trabalho estará, em larga medida, conseguido em Outubro. Foi isto que prometemos às pessoas.

11.   Na região, o Alandroal é o concelho onde o quadro de candidatos às próximas autárquicas está mais avançado. Já são conhecidos três candidatos, mas continua no segredo dos deuses a recandidatura do actual presidente. O Movimento Unidade e Desenvolvimento de Alandroal, vai a votos? João Grilo é o candidato?

O Movimento Unidade e Desenvolvimento de Alandroal vai seguramente a votos. Desenvolveu um trabalho que lhe permite apresentar-se aos eleitores com um sentimento de dever cumprido e com legitimidade para pedir, com humildade, a renovação da confiança dos eleitores no projecto. Quanto à minha recandidatura nem está no segredo dos deuses nem é tabu. Deve sair de dentro do movimento e não de declarações unilaterais, só isso.

12.   Por estes dias, o Alandroal tem sido também comentado por algo que manchou o quotidiano alandroalense. O Tribunal de Redondo recebe o julgamento do ex-presidente do Município de Alandroal, e actual candidato, João Nabais. Como presidente do Município de Alandroal, município lesado neste processo em mais de 750 mil euros, que comentário lhe merece este processo, sendo que os factos que são levados a julgamento remontam à altura em que fazia parte de executivo na qualidade de vice-presidente?

Como representante do município que surge na qualidade de lesado neste processo, não devo pronunciar-me sobre qualquer aspecto do mesmo.

13.   O Alandroal em particular, e o Alentejo em geral, têm futuro?

O Alandroal e o Alentejo têm futuro porque não acredito em inevitabilidades. Quando oiço dizer que as projecções técnicas apontam para que se continue a perder população, a aumentar a desertificação e a diminuir o investimento num território com tantas potencialidades tenho dificuldades em perceber que alguns políticos aceitem esses “cenários” e trabalhem para “esses” realidades. Penso que os políticos existem para contrariar esses cenários, vencer inevitabilidades e ajudar a construir as realidades que queremos para o futuro. Só assim se justifica que existam. E penso que todos os que temos responsabilidades politicas temos a obrigação de construir esse futuro e não defraudar a nossa região. 

ENTREVISTA DE JOÃO GRILO AO AL-TEJO (Cont.)



Considera-se um político de carreira? Pensa continuar mesmo que não venha a ser o próximo Presidente da Câmara prosseguindo a vida politica? Isto é, aceitaria desempenhar o cargo de Vereador mesmo se não vier a vencer as eleições?

Nunca me poderia considerar um político de carreira porque fiz o meu percurso e a minha carreira no ensino e num determinado momento senti que podia fazer uma pausa nessa carreira e dedicar-me ao meu concelho. É isso que tenho estado a fazer e só nesta perspectiva é que encaro a vida política. Só esta perspectiva é que me permite que esteja de corpo e alma num projecto mas sempre pronto para voltar a essa carreira se for necessário, sem me sentir refém de nada nem de ninguém. Penso que já demonstrei que não estou agarrado a lugares nem a tentar fazer carreira. O que me move são as convicções e é por elas que pretendo continuar enquanto sentir que faz sentido. Em politica, como na vida, tão importante como escolher o momento para entrar é saber escolher o momento para sair. Espero vir a ter a sabedoria necessária para um dia não deixar passar esse momento.
O MUDA tem um projecto de desenvolvimento para o concelho que está longe de se esgotar nestes quatro difíceis anos que agora terminam. Pelo contrário, é nos próximos 4 a 8 anos que esperamos que todos, no concelho,  possamos colher os frutos deste trabalho. Como tal, não nos passa pela cabeça que este ciclo fundamental para o futuro do concelho seja interrompido antes do tempo. Mas isso o povo é que vai decidir, soberanamente, através do voto. Qualquer pessoa que se apresenta a eleições tem que ter a humildade para ocupar o lugar que os eleitores lhe reservarem. É uma das mais elementares regras democráticas e de respeito pelos eleitores.

Acredita que consegue até ao fim do Mandato colocar o Município a salvo do garrote das dívidas contraídas e que, enquanto Presidente, poderá concretizar as medidas preconizadas na Agenda 21 Local?

Como já disse, os passos necessários para isso já estão dados. Com a aprovação pela Assembleia Municipal do Plano de Reequilíbrio do Município é só já uma questão de tempo até que o mesmo seja uma realidade. Esse plano representa  dificuldades e constrangimentos, uma vez que ao longo de 20 anos vamos ter que amortizar mais de um milhão de euros de dívida por ano – dinheiro que devia ser usado para o desenvolvimento do concelho nos próximos mandatos – mas, apesar de tudo, este plano assegura uma margem de investimentos que nos permite acreditar na implementação da Agenda 21 Local. É nesse equilíbrio difícil entre pagar dívidas e fazer investimentos que temos que construir o nosso futuro. Sendo certo que o “tempo das vacas gordas” passou e hoje vivemos uma realidade completamente diferente no país e no mundo. No Alandroal, em particular, as vacas nem sequer eram gordas, estavam inchadas de endividamento para bem parecer. Nem somos tão pobres como nos pintaram no passado nem tão ricos como recentemente nos quiseram fazer parecer. Somos um concelho onde é preciso arregaçar as mangas, falar menos e trabalhar mais!


II.

Trace-nos um brevíssimo diagnóstico para o Concelho do Alandroal em termos de presente? Acha que temos um futuro prometedor?

Se não acreditasse num futuro prometedor para o concelho não andava aqui.
Temos futuro porque somos um concelho que pela riqueza natural e patrimonial, pela história e cultura, pelas acessibilidades e proximidade com Espanha, por estar simultaneamente na Zona dos Mármores e em Alqueva tem um potencial de desenvolvimento acima da média dos concelhos vizinhos e dos concelhos do interior no geral, mas não há milagres. Só com muito trabalho ao longo do tempo se pode concretizar essa realidade. Acredito nessa realidade e nestes quase quatro anos fiz tudo para criar os “alicerces” que nos aproximam dela. Gostava de continuar a dar o meu contributo para o crescimento das “paredes” deste edifício nos próximos anos e um dia ver concretizado o mais que merecido “telhado” para os nossos filhos e netos. Porque acredito neste edifício chamado “Concelho do Alandroal”.
O que sempre faltou ao concelho foi trabalho sério e estratégia de longo prazo.
Sempre ouvi dizer que “temos a vantagem de estar perto de Espanha”, mas nunca vi ninguém fazer nada para tirar partido disso. Agora, pelo contrário,  estamos a trabalhar a sério com Olivença e queremos chegar a Badajoz, Cáceres e Mérida. Nunca antes tinha havido, do ponto de vista político, o mais pequeno esforço de aproximação. Houve geminações com Cuba, Cabo Verde, Brasil que a única coisa que deixaram foi grandes contas para pagar e nunca se olhou para o lado, onde os benefícios para as populações podem ser simples e imediatos.
Sempre ouvi dizer que “o Endovélico é único no mundo e só nosso” mas nunca vi ninguém fazer nada para o promover ou criar um museu. Agora, pelo contrário, criámos o “Terras do Endovélico”, estamos a projectar o museu, criámos o centro de estudos, estamos a apoiar publicações, escavações, etc.
Sempre ouvi dizer que “temos um grande tradição no peixe do rio  e o nosso concelho é conhecido por isso”, mas nunca vi ninguém fazer nada para promover essa tradição e com isso trazer visitantes. Agora, pelo contrário, criámos a “Mostra Gastronómica” e já se pode comer peixe do rio em todos os restaurantes do concelho (antes da mostra havia um único a servir peixe) e a procura de peixe já permite a existência de pescadores profissionais.
Sempre ouvi dizer que “os nossos monumentos, os nossos castelos, são a nossa maior riqueza”, mas muito pouco se fez para os recuperar e tornar atraentes para os visitantes. Vendeu-se gato por lebre até à exaustão com “o concelho dos três castelos” que depois eram três ruínas que causavam – e ainda causam –grande desilusão aos turistas. Agora, pelo contrário, temos um plano contínuo de intervenções no património que já começou no castelo do Alandroal, vai estender-se à fonte da praça e à Capela da Boanova, ao castelo de Terena e à Misericórdia de Terena, Rocha da Mina, o Posto da Guarda Fiscal de Montejuntos, para mencionar os que já tem trabalho em desenvolvimento.
Sempre ouvi dizer que “o nosso concelho tem um grande potencial turístico, agrícola e agro-industrial” mas nunca vi a câmara fazer nada de concreto para ajudar os empresários a construir essa realidade. Agora, pelo contrário, ajudámos a criar uma associação empresarial, temos em desenvolvimento investimentos comuns com a Associação de Beneficiários do Lucefecit, estamos a estabelecer pontes com Espanha e com outros países da Europa, e tudo sem sair de cá! É verdade que é o momento mais difícil para este trabalho, mas por isso mesmo é que não podemos perder mais tempo.
E podia continuar com o “sempre ouvi dizer” e “nunca vi fazer”. Porquê? Ajudem-me a responder os que puderem, mas a verdade é que estava tudo aí, à espera de ser feito.
É claro que os resultados de uma estratégia deste tipo demoram a aparecer. Não dão votos no imediato. É um risco para quem governa mas é o que o concelho precisa. E sempre se apostou em estratégias mais “seguras” de curto prazo. Mas imagine onde estaríamos hoje se todas estas estratégias de desenvolvimento tivessem sido começadas há 30, 20 ou mesmo 10 anos atrás!
Mais vale tarde que nunca – teremos que dizer – mas está aqui grande parte da explicação para o nosso atraso histórico em relação aos concelhos vizinhos.


Em que situação estão as obras da Biblioteca Municipal? E já agora que utilidade se pretende dar ao Parque onde se fizeram as Expo-Guadiana?

A obra da biblioteca municipal começou em 3 de Junho de 2005 e tinha um prazo de execução de um ano. Tinha um custo total de cerca de 1,5 milhões de euros. Financiada a 50% pelo Terceiro Quadro Comunitário de Apoio (QCAIII) e 45% pelo Instituto Português do Livro e das Bibliotecas (IPLB), à câmara correspondia apenas 5%, ou seja 75 mil euros.
Os projectos do QCAIII tinham que ser executados até à data final de encerramento do quadro comunitário, Junho de 2009, o que não se veio a verificar.
Portanto, hoje, a situação é a seguinte: precisamos ainda de mais de 500 mil euros para concluir a obra e estamos a ser pressionados pela CCDR para devolver mais de 360 mil euros de financiamento recebido. Ou seja, uma obra que teria custado à câmara 75 mil euros se tivesse sido concluída no prazo previsto (ou mesmo em quatro vezes o prazo previsto!) exige, hoje, para ser concluída quase um milhão de euros dos escassos recursos da câmara. É esta a dimensão do problema.
Quanto ao chamado “parque de feiras e exposições” é de longe o local onde, ao longo do tempo, das mais diversas formas, mais dinheiro “se enterrou”.
É impossível calcular com exactidão tudo o que ali se gastou: custo do terreno, sucessivas terraplanagens e instalação de equipamentos eléctricos (cada vez que havia uma feira), aluguer de tendas e outros equipamentos, construção de vedações (foram feitas pelo menos duas, a última em 2009), etc. Foram milhões que não se traduziram em nada.
Para além disso, o projecto de um “mega-pavilhão de eventos” no parque de feiras estava totalmente desajustado da nossa realidade como se tem provado em concelhos vizinhos. O actual quadro comunitário já não estava orientado para financiar projectos deste tipo e o que se conhece do próximo, ainda menos.
Hoje temos em desenvolvimento um estudo prévio que oportunamente será apresentado à população para discussão e que prevê uma total inversão da filosofia do espaço numa lógica de “parque verde” com espaço para a praça de touros e um picadeiro com escola de equitação (numa lógica de concessão privada), jardins, circuito de manutenção, “skate-park”, hortas comunitárias, etc.


Pode adiantar-nos  algo mais sobre o andamento das Comemorações dos Forais?

Este era outro assunto que estava totalmente esquecido e que não podemos deixar de assinalar com a devida dignidade pela sua importância histórica e pela circunstância de termos três forais num único concelho. As Comemorações dos 500 Anos dos Forais Manuelinos de Juromenha, Terena e Alandroal estão a decorrer de Outubro de 2012 a Janeiro de 2016 com os principais eventos agendados para o período de Outubro de 2014 a Outubro de 2015. Já está constituída uma comissão “ad hoc” para orientar científica e culturalmente os trabalhos, estão estabelecidos os contactos com o Arquivo Nacional da Torre do Tombo para o restauro dos exemplares do município e contamos apresentar o programa das comemorações muito em breve em data e local a designar. As comemorações envolvem o restauro dos originais, uma edição “fac simile” conjunta dos 3  forais e podem ainda envolver recriações históricas, conferências, exposições e outros momentos distribuídos pelas três localidades do concelho.


Esclareça-nos sobre o projecto “Endovelico”?  As pessoas continuam envolvidas?

O projecto “Endovélico” é e continuará a ser uma das nossas grandes prioridades. Como traço cultural, é um dos nossos principais factores de diferenciação e de afirmação mas a verdade é que, mesmo dentro do concelho, ainda muitas pessoas desconhecem a real importância que este deus e o seu culto teve no contexto da Lusitânia romana.
Neste mandato desenvolvemos o estudo prévio do centro interpretativo/museu em colaboração com o Museu Nacional de Arqueologia e contamos apresentar o projecto definitivo em Julho próximo. Será um espaço onde o espólio do Endovélico terá um lugar central mas muito interactivo, capaz de mostrar às crianças e jovens das escolas o que era a vida romana no nosso território há 2000 anos atrás. Será também um verdadeiro museu do concelho com uma forte componente etnográfica e da relação com a fronteira. Contamos que seja um espaço capaz de atrair de forma contínua um número significativo de visitantes com destaque para estudantes de todo o país mas também de Espanha.
Lançámos o Festival “Terras do Endovélico”, que terá este ano a sua terceira edição, num formato que conjuga a promoção cultural com a feira de actividades económicas, num modelo muito sustentável mas que procura ser o ponto alto da afirmação do território.
Criámos o “Centro de Estudos do Endovélico” que está a juntar os especialistas na orientação científica do projecto do museu, mas também a criar outras dinâmicas, com destaque para o programa educativo que vai levar a arqueologia até às escolas e a todas as crianças do concelho.
Estamos a desenvolver um documentário sobre as “Terras do Endóvelico” (para apresentar em Julho), financiado por fundos comunitários, e que será um importante cartão de visita do concelho.
Fruto do trabalho do centro, teremos, também em Julho um congresso científico que vai juntar todos os investigadores nacionais e internacionais da temática. As comunicações deste congresso darão corpo à primeira edição dos “Cadernos do Endovélico” que ao longo do tempo continuarão a nova produção científica e a enriquecer o centro de estudo.
Para nós o mais importante é que as crianças e as pessoas do concelho conheçam e valorizem este legado histórico e cultural. Só assim poderemos aumentar a nossa auto-estima em relação ao concelho e à sua riqueza cultural e transmitir aos visitantes.
Como parte desta estratégia posso adiantar que, antecedendo o congresso de Julho, a câmara vai organizar um conjunto de visitas guiadas de pequenos grupos ao Museu Nacional de Arqueologia para que conheçam a real importância deste legado no contexto da Arqueologia nacional.


Uma das acusações de que é alvo, é a da fraca oferta cultural apresentada no Fórum Cultural (principalmente o pouco aproveitamento do projecto TEIAS) e do modo como o responsável da programação foi demitido. Concorda com essas criticas? Pode justificar-nos os motivos da sua posição?

Não concordo em absoluto com o “pouco aproveitamento do programa TEIAS” porque a câmara não só vai esgotar os espectáculos que lhe estavam reservados como ainda vai aproveitar algum do financiamento que estava reservado para outras câmaras, que não foi por estas utilizado, para contratar novos espectáculos. Considero até particularmente interessante o modo como estamos a utilizar o serviço educativo do programa para dar apoio às actividades da biblioteca municipal que graças a isso e ao restante trabalho está a desenvolver uma actividade digna de nota.
Quanto à suposta “fraca oferta cultural” – questão que, em boa verdade, ainda não me foi colocada por nenhum munícipe directamente – provavelmente, estão em causa diferentes conceitos de cultura e de disponibilidades.
Para nós a “forte” oferta cultural não significa um conjunto sucessivo de actuações de “nomes sonantes” no Fórum Cultural a um preço que o município não poderia pagar em circunstâncias normais, quanto mais em situação de grandes dificuldades financeiras e para um público muito restrito.
O que tínhamos era um grande consumo de recursos para chegar às poucas dezenas de pessoas que frequentavam o “Café-Concerto” ou que assistiam aos espectáculos do auditório.
Para nós a prioridade é e será sempre promover uma cultura que chegue às pessoas e de que as pessoas façam parte. Por isso canalizamos os poucos recursos que temos prioritariamente para esse fim.
Estamos a apoiar de forma mais consistente os projectos culturais existentes no concelho, como a Banda da Escola de Música do Centro Cultural do Alandroal que já conta com uma banda juvenil recentemente criada.
Apoiámos os Cantadores dos Reis com a edição do CD.
Estamos a financiar novos projectos como o grupo de música tradicional “Trigueirão do Relheiro” de Hortinhas e, da mesma forma, vamos apoiar a criação de um rancho folclórico. Nada disto existia.
Estamos a proporcionar às crianças aulas de guitarra através da Escola Popular e iniciámos este ano um projecto de música para todas as crianças do ensino pré-escolar e de terapia da fala para o 1º Ciclo. Nada disto existia.
A Escola Popular tem quase 700 alunos, mais de 10% da população, em grande parte idosos, distribuídos por todo o concelho que beneficiam de aulas de teatro, danças de salão, yoga, ginástica, inglês, história, informática. Nada disto existia.
E não nos podemos esquecer que todo o trabalho na temáticas do Endovélico, dos forais manuelinos, das memórias paroquiais, da antologia de poetas populares  e de outras publicações que temos em preparação correspondem a investimentos na área cultural, onde muito pouco se estava a fazer antes.
Penso que não se pode pedir mais oferta cultural ou outra oferta cultural, num momento em que a grave crise que estamos a viver obriga a câmara a um esforço muito maior para canalizar grande parte dos recursos financeiros para apoio directo às famílias  em termos de acção social e educação.
Quanto ao antigo programador cultural, tenho por ele o maior respeito como artista e como profissional e sempre que se justifique, como aconteceu com o CD dos cantadores dos reis, trabalharemos com ele. Mas para o trabalho que estamos a desenvolver e para as prioridades que estão definidas temos no quadro da câmara pessoas com a capacidade e competência necessárias, como se tem demonstrado, pelo que merecem a minha total confiança.


Também ultimamente não cessam as críticas à forma como tem gerido os contratos por ajuste directo quer com pessoal contratado quer com certas obras a realizar. Poderá esclarecer os nossos leitores sobre o assunto?

Não sei que criticas são essas já que não chegaram às sessões de câmara ou à assembleia municipal, lugares próprios para aparecerem e serem discutidas. No nosso concelho faz-se muita “politica de café” ou do boato e do anonimato e pouca politica séria e frontal nos locais próprios. Não contem connosco para alimentar esses caminhos.
Posso dizer que os contratos de ajuste directo que hoje se fazem na câmara são feitos com absoluta transparência, num escrupuloso cumprimento da legislação em vigor e para fazer face a necessidades reais e concretas para que a câmara desenvolva a sua actividade e concretize da melhor maneira as prioridades para que este executivo foi eleito com enorme respeito pelos escassos recursos públicos que temos ao nosso dispor.
Vários desses contratos já vêm do mandato anterior e mantiveram-se por serem necessários. Outros resultam de termos um quadro de pessoal desajustado das reais necessidades e que não pode ser ajustado por estarmos impedidos de abrir concursos por força do excesso de endividamento. Por exemplo, A câmara não tem nos seus quadros um único arquitecto, um engenheiro civil ou um técnico superior da área de informática. Se eles existissem não teríamos que recorrer a serviços externos.
Os restantes são para projectos concretos, quer seja para projectos técnicos de obras (muitos nas áreas de remodelação e alargamento das redes de água e saneamento do concelho, requalificação de caminhos e recuperação do património), quer seja para concretização de projectos com financiamento comunitário, como foi o caso do sistema de cinema 3D, o barco para os bombeiros, a Agenda 21 Local, etc.
Hoje fala-se mais de ajustes directos porque a legislação mudou muito e obriga a que todas as despesas superiores a 5 mil euros tenham por base as regras da contratação pública e sejam publicitadas. Até 2009 não era assim. Hoje – e ainda bem que é assim! –  todos os ajustes são publicados numa base de acesso público. Mas se querem falar sobre ajustes directos convido a consultar o que está publicado na base para 2009, até ao final de Outubro, só em relação à ultima Expo-Guadiana e Festas de Setembro.
Hoje só temos um objectivo: pôr a câmara a funcionar e as respostas serem as exigidas pelos munícipes! Duma coisa podem ter a certeza, hoje os contratos de avença são com pessoas ou empresas que realmente fazem trabalho para o município, que na maior parte dos casos vivem ou estão ligados ao concelho, que assim ajudam famílias a não ter que deixar o concelho num momento de crise muito grande. Hoje não há, como já houve no passado,  avenças milionárias na câmara para pessoas que nem cá punham os pés!


Foi bem aceite por todos o patrocínio da Autarquia para a realização do CD dos Cantadores dos Reis. Pensa a Autarquia seguir procedimento idêntico com outros agrupamentos culturais principalmente com a Banda do Centro Cultural?

Como já disse, a nossa prioridade é para o apoio aos agentes culturais locais. O CD dos Cantadores dos Reis foi uma proposta do grupo para assinalar o seu 23º aniversário com a qual concordámos desde o primeiro momento. É claro que a câmara trata todos os agentes culturais do concelho com o mesmo respeito e estamos disponíveis para apoiar todas as propostas que façam sentido. Posso adiantar que a edição de um CD da Banda já está a ser equacionada e espero que o grupo de cantares tradicionais “Trigueirão no Relheiro” tenha em breve a qualidade e a projecção que justifique uma edição semelhante.