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quinta-feira, 8 de outubro de 2009

CARTA AO CONCELHO

“Não há inocentes, há apenas diferentes graus de responsabilidade.” – Lisbeth Salander.

Sem ter pedido autorização à escritora, permito-me a, uma vez que considero que este pensamento extraordinário, que deu título a um livro da autora, passou a ser do domínio da humanidade, utilizar esta excepcional frase como título do que me apetece dizer, neste caso transcrever.
Resolvi, acerca de três meses, estar com o MuDA, em boa hora o fiz, digo-o hoje sem qualquer dúvida, que tomei uma das mais acertadas decisões da minha vida.
Foram amigos, uns mais próximos, outros menos, que me fizeram despertar para esta nova realidade, a eles agradeço. Foram aqueles os primeiros a guiarem-me no caminho que me conduziu a um conhecimento bem doloroso do meu Concelho. Penúria democrática, privação de imparcialidade, carência de ideias, indícios claros de imperialismo, megalomania de atitudes e de concretizações, inexistência de um plano global de desenvolvimento para o Concelho, total falta de percepção das principais carências da população do Município de Alandroal e a utilização prática do conceito “mentira” como que de uma verdade se tratasse.
Costumo dizer que nasci com o “rabiosque” virado para o sol. É verdade sim senhor. Felizmente para mim, nunca passei pelas privações, pelas dificuldades de vária ordem, quer antes, quer depois do 25 de Abril de 74, que muitos, de certeza a maior parte, dos Munícipes do nosso Concelho passaram, e infelizmente continuam a passar. Não tenho o mais pequeno problema de consciência, de dizer-vos que sempre assumi uma postura de partilha, desde pequeno, sempre reparti o que tinha com os que não tinham, não havendo, com toda a certeza, nenhuma pessoa que me possa acusar do contrário. Tomando como indicativo a média relativa à qualidade de vida dos meus conterrâneos, deve confessar que não vivo relativamente bem, vivo bem. O meu principal desejo é ver todos os habitantes deste Concelho a viverem tão bem, ou melhor do que eu. Para que tal possa ser real, será necessário que a Edilidade tenha uma gestão coerente com a proporcionalidade qualitativa e quantitativa da mesma. Não poderemos continuar a construir “PALÁCIOS” que outrora não foram construídos, não poderemos avançar com obras do tipo, Panteão de D. Duarte (as famosas Capelas Imperfeitas do Mosteiro da Batalha), que embora já passados 600 anos ainda não foram terminadas. Não somos um Concelho com poucos recursos, somos sim um Concelho com recursos desaproveitados. Os homens e as mulheres do meu Concelho são o seu principal recurso, são a melhor das coisas que este Município deu e há-de continuar a dar, mas que nos últimos anos tão mal têm sido tratados (as), muitas vezes preteridos (as), em favorecimento de mão-de-obra vinda de fora, sabe-se lá porquê! Melhor dizendo, todos sabemos porquê, “cunhas”, compadrios, favoritismos políticos, etc. …
Ermelinda Duarte escreveu e musicou, o que tanto se cantou neste quintal de Portugal, eu ainda não me esqueci, nem nunca me esquecerei, “Uma criança dizia, dizia, quando for grande não vou combater, como ela, somos livres, somos livres de dizer”. Nestes tempos que correm, se o Tarrafal, ou outra qualquer prisão, se começarem a encher novamente, é com todo o orgulho que me ofereço a ser o primeiro dos “hóspedes”, pisar o chão onde infelizmente viveram alguns dos HOMENS que nos proporcionaram ser hoje um país democrático, que hipotecaram as suas vidas a pensar num futuro melhor para o seu povo, é de certeza motivo de vaidade pessoal.
Devem estar a pensar, o que é que tudo isto tem a ver com o título!
Eu, tal como todos, somos responsáveis, o que me obrigou a defender esta causa, o MuDA, uma vez que considero este projecto, como o único que consegue congregar esforços, ideias, ideais, vontades e interesses, que tão necessários vão ser, para ultrapassarmos as grandes dificuldades que se avizinham.
É hora de dizer-mos basta, todos os Alandroalenses merecem deveres e direitos iguais, necessitamos de apoiarmo-nos, de envolvermo-nos, para promovermos o real desenvolvimento do nosso Concelho, assente em bases sólidas e verdadeiras.
Tem sido extraordinário ver este conjunto de pessoas, tão diferentes, mas tão iguais, partilharem as suas ideias e ideais, com uma enorme elevação. Era utopia, não era! Hoje é uma realidade.
Será bom não esquecer, que algumas pessoas que tiveram nas origens deste Movimento, eu não fui uma delas, tenho hoje muitíssima pena de não o ter sido, o meu grau de culpabilidade só aumenta em relação ao estado de degradação social e financeira do Concelho de Alandroal, continuam hoje a dar a cara e a defender a actual gestão, todas as ideias e criticas proferidas, bastante negativas, sobre o principal líder da mesma, pelos atrás citados, durante semanas e meses foram esquecidas. Resultado de quê?
É fácil responder, a este Movimento não pertencem, nem nunca poderão pertencer, pessoas que põem os interesses pessoais acima dos interesses de uma comunidade. Os lugares de candidatos deste Movimento, bem como os de apoiantes do mesmo, não se vendem, nem se compram, adquirem-se com base na transparência, perseverança, responsabilidade, trabalho e honestidade, conjugados com uma grande dose de amizade, companheirismo e camaradagem.
Estou aqui, e todos temos que aqui estar, pelos Alandroalenses, os homens e mulheres que fazem este Concelho estar vivo, não podemos nunca “colocar o carro á frente dos bois”, a pedra não é mais importante que o homem. Particularmente, sei que tenho mais ensinamentos a receber do que a dar, no entanto, disponho-me a fazer o que estiver ao meu alcance, no sentido de inverter o actual estado do Concelho que me viu nascer, e do qual sempre me orgulhei de pertencer. Em troca, não quero nada de especial, desejo simplesmente que sejam felizes, porque eu só o serei se vocês também o forem.
Um último conselho, se mo permitem, no próximo dia 11 de Outubro, dia das eleições autárquicas, revejam o passado, até porque concordando eu com a autora da primeira frase que escrevi, nenhum de nós é inocente, haverá, com toda a certeza, é alguns com muito mais responsabilidade no actual estado das coisas, votem livremente, deveria ser este o presente, nunca perdendo de vista, que a vossa escolha é importantíssima para o futuro dos vossos familiares mais idosos bem como para o dos vossos filhos e netos.

Sou Joaquim Saraiva Neves, nasci (também cresci) na Freguesia de S. Pedro – Terena, no dia 07/04/1964.

3 comentários:

Lucia disse...

Não nasci, não residi, mas trabalhei no concelho do Alandroal, por isso conheço bem as necessidades e capacidades desse concelho. Embora se diga que é pobre, realmente é! já que pude constatar, que há um grande número de pessoas que não tem condições mínimas de habitabilidade (sem WC., sem esgotos em condições e muitos outros problemas. No entanto, já passearem de avião até ao Algarve, até á Madeira, aos Açores, etc, etc... pois estas eram as prioridades do actual Sr. Presidente da Câmara, mas será que estas são as prioridades/necessidades das pessoas que residem no concelho????????
É importante ficar os jovens no concelho, mas para isso têm de existir condições, aquele terrenos que foram vendidos pela CMA (na parte superior do actual Centro de Saúde), quando é que os proprietários podem começar a construir as suas casas ????????
A mudança é uma necessidade urgente no Alandroal, por isso FORÇA para o MUDA !!!! São a esperança de muitos que vivem lá e de outros que o conhecem, porque lá trabalharam, é fundamental mudar de atitude... "O tempo é mudança, transformação, evolução."( Isaac L. Peretz )

Em frente! Lúcia Martins

Anónimo disse...

Em boa hora o magnífico professor dedicou parte do seu precioso tempo à política.No seu estudo afincado, quotidiano, de preparação das aulas que ministra soberbamente, entenda-se,ainda arranjou tempo para ler Lisbeth Salander -Los hombres que no amaban a las mujeres, La chica que soñaba con una cerilla y un bidón de gasolina y La reina en el palacio de las corrientes de aire, etc.- a quem Vargas Llosa dedica tanta atenção...Que dirá Gabo deste interesse?
Mas vamos ao que interessa, conseguiu descontextualizar um parágrafo de uma das novelas da Salander, e servir-se dele para titular o seu aconselhamento, não inocente mas cândido a troco de nada que, é afinal alguma coisa!
Uma vez que se auto-disponibilizou para o divã psicanalítico político,permita-me lembrar-lhe duas ou três pequenas coisas:
1ª - a "arraia-miúda" vulgo povo pensa,mas sem muita reflexão...
2ª - a qualidade da escrita ou dos artigos de opinião não pesam nas suas (deles)decisões ...
3ª - a sua tentativa de "volúplia de influência" não irá influenciar o voto local,literalmente por manifesta falta de credibilidade.
Posto isto, localmente é mais excitante a viagem de avião Lisboa-Lisboa com aterragem pontual em Faro para ver o mar, a pomposa entrega de medalhas de oiro,prata e latão por quaiquer razões não óbvias, o tratamento dispendioso a Cuba podendo o mesmo ser realizado em Barcelona a menores custos, os BMW’S luxuosos para viagens lúdicas à capital, os parques desportivos sem desporto, a transportadora municipal ao serviço do partido no poder, o relógio pechisbeque com fotografia narcisista, a lancharada a crédito, a revisteira revista para entreter os já entretidos votantes, etc,etc.
Sirva pois iguarias destas aos votantes, e verá que eles nem se lembrarão de pensar que é afinal tudo isto, é pago com o dinheiro dos seus impostos.
Entre “AS INTERMITÊNCIAS DA MORTE” e “. A Rapariga que Sonhava com uma Lata de Gasolina e um Fósforo” é de preferir o primeiro...Aqui residem todas as diferenças.
Sou anónimo com alguns anos, não nasci aqui,e não preciso de invocar a exposição dos meus dotes glúteos,para entender e percepcionar o que se quer sem querer e o que sem querer se quere.Antinomias? Quiçá!

Anónimo disse...

Cito o meu amigo MUDA Joaquim Saraiva:

"Não tenho o mais pequeno problema de consciência, de dizer-vos que sempre assumi uma postura de partilha, desde pequeno, sempre reparti o que tinha com os que não tinham, não havendo, com toda a certeza, nenhuma pessoa que me possa acusar do contrário."

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É essa postura de partilha que faz de nós melhores seres humanos... Também sempre fui assim, porque será? A mim a família ensinou-me tudo o que sou... Depois foi só seguir os ensinamentos e partilhá-los com muitos amigos que felizmente tenho. Neste particular considero-me um sortudo!
Acabei de me comover e deitar algumas lágrimas... Bem hajas amigo Saraiva!

Carlos Galhardas (Cabé)