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domingo, 18 de março de 2012

MOSTRA GASTRONÓMICA DO PEIXE DO RIO




Intervenção do Presidente da Câmara na Sessão de Abertura:

Começou ontem, nos restaurantes e cafés do concelho a III Mostra Gastronómica do Peixe do Rio do Alandroal.

Este certame que lançámos em 2010 para valorizar uma das maiores tradições do concelho – a gastronomia do peixe do rio – tem vindo a crescer a cada edição e transformou-se num importante momento de afirmação das potencialidades do concelho, assim como representa uma forma positiva, com forte identidade, de nos darmos a conhecer aos outros. É ainda um importante momento de dinamização económica numa altura em que os nossos restaurantes e os nossos alojamentos sentem, de uma maneira especial, os efeitos das dificuldades que o pais atravessa. É também o melhor exemplo da lógica que temos procurado imprimir a todos os eventos promovidos pela autarquia (“Terras do Endovélico”, iniciativas “Alandroal ConVida”, etc.), assentes em três pilares fundamentais: cultura e tradições locais, envolvimento da comunidade local e sustentabilidade financeira.

Cultura e tradições locais, com dois efeitos: mostrar aos outros o que temos de único e de melhor e aumentar a nossa própria auto-estima e conhecimento de nós próprios, tão importante nos dias que correm. Haverá quem diga que “peixe não puxa carroça”. Pois nós dizemos que sim! O peixe pode ajudar a puxar por um concelho que precisa de acreditar nas suas potencialidades e arregaçar as mangas para fazer esse trabalho. Pode o peixe, como pode o Endovélico, a Santa Cruz ou as enxovalhadas, os três castelos ou o Alqueva, os Pêro Rodrigues ou a Boanova, a Rocha da Mina ou o Lucefécit, a Fonte Santa ou os queijos a Rota do Fresco ou a Rota do Contrabando, os cantadores dos reis ou os poetas populares, a caça ou o porco preto, as filhoses ou os vinhos...enfim, como é que alguém pode chamar pobre a este concelho com toda esta riqueza que não existe em mais lado nenhum do mundo?

Envolvimento da comunidade local: não fazemos as coisas para dentro (para a câmara, para recriação interna), fazemos para fora, para os munícipes, para os visitantes, para os agentes económicos. Queremos que todos sintam que este é um evento de todos e para todos.

Sustentabilidade financeira: com eventos que não representem encargos avultados. Que não comprometam verbas que o município não tem e que fiquem pagos depois de realizados. Fazer muito mais, com muito menos. Não só pelos tempos que vivemos, mas também porque é esta a obrigação de quem gere dinheiros públicos. A tudo isto se chama, efectivamente, “ fazer render o peixe”, no melhor sentido da expressão.

Estes três pilares constituem uma base sólida que nos deixa muito satisfeitos com os resultados obtidos e nos permite, a cada ano, fazer com que cresçam e possam ser melhorados numa base sustentável.

Ontem estivemos na Bolsa de Turismo de Lisboa (BTL), no coração do stand do Turismo do Alentejo, com uma apresentação dos pratos de peixe do rio e dos vinhos do nosso concelho que foi muito bem recebida. Este ano o Município dispõe de um espaço próprio de promoção do concelho dentro do stand do Turismo do Alentejo especialmente dedicado à Mostra e onde estamos a sortear dormidas nos alojamentos do concelho, gentilmente oferecidas por estes, o que, desde já, agradeço.

Para além do concurso de pesca, do mercado de produtos regionais e dos ateliês de culinária quero destacar: A “Hora do petisco”, todos os finais de tarde em todos os restaurantes e cafés aderentes, para recuperar a antiga tradição do petisco. Ao longo da semana vamos promover um roteiro da hora do petisco aberto a todos que vai passar por todos os locais e para o qual deixo já o convite a todos vós. A exposição “Na Rota do Contrabando” que vamos inaugurar daqui a pouco. Um tema que se liga a este evento pelo imaginário associado ao rio e às rotas que implicavam a sua travessia e que procura homenagear os homens e mulheres que em tempos muito difíceis – bem mais difíceis dos que vivemos hoje, é preciso que não nos esqueçamos disso! – arriscavam as suas vidas para ganhar o sustento das suas famílias.

A apresentação, já de seguida, de um “Receituário do Peixe do Rio”, um projecto financiado por fundos comunitários que resulta do convite que lançámos aos restaurantes para apresentarem uma das suas receitas e que se destina a contribuir para a promoção da mostra. O passeio pedestre “Na Rota do Contrabando”, no Domingo, dia 11, e culmina com a já habitual “caldeta para todos” no largo do Centro Cultural em Montejuntos e para o qual também ficam todos convidados.

Para o próximo ano, como culminar de um conjunto de dinâmicas que estão a surgir em torno deste evento, deixo já o desafio a todos nós de criarmos a “Confraria do Peixe do Rio”, estrutura responsável pela defesa, recuperação e preservação de toda a riquíssima tradição gastronómica do concelho.

E deixo ainda um desafio para este ano aos nossos restaurantes, vamos manter os pratos de peixe nas ementas para lá dos dias da mostra. Vão ver que a procura vai continuar! E esse é um dos grandes objectivos desta iniciativa.

Quero agradecer a todos os restaurantes e cafés aderentes, a todos os alojamentos, aos pescadores e cozinheiros, aos antigos contrabandistas, à Guardia Civil espanhola, às IPSS através dos CLDS, aos “Marujos”, à comunicação social (que tem acarinhado este evento) e a todos os que, de alguma forma, deram ou vão dar o seu contributo para este certame. Agradeço também o trabalho dedicado de toda a equipa da Câmara Municipal do Alandroal.

Este é um festival “bem amanhado”, feito por uma grande conjunto de pessoas para todos vós. Espero que ninguém fique de molho (nem com espinhas na garganta). Aproveitem o que vier à rede até ao próximo dia 11 e ao longo do ano.

Muito obrigado a todos

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