
Muita “água” tem corrido a propósito do “estado das contas” da autarquia alandroalense. Fala-se em esbanjamento, endividamento muito acima das possibilidades e de completa ausência de preocupação com a sustentabilidade financeira da mesma (comprometendo-se os próximos 20 anos, ou mais, de gerações de alandroalenses!).
Os números que mostram o verdadeiro caos financeiro da Autarquia ainda vão aparecer. Até lá, vamos usar um indicador muito mais perceptível por todos: o bom senso.
O bom senso, e uma análise aos concelhos vizinhos e ao país real, diz-nos que é completamente impossível manter o ritmo de gastos e ostentação por muito mais tempo. Quem é que dos leitores não sabe o que custa gerir o orçamento familiar até ao final do mês em tempos difíceis para todos? Não somos piores gestores, apenas mais responsáveis.
Todos sabemos que as receitas da autarquia são fixas e limitadas. Resumem-se às transferências do Orçamento de Estado, aos impostos cobrados e às receitas próprias resultantes da cobrança de taxas e licenças. Poderíamos ainda falar de fundos comunitários, mas esses, são aprovados para fins específicos, correspondem, em regra, a 70% de um determinado projecto e obrigam a câmara a suportar os restantes 30%, ou seja, despesa.
Ora, sabemos que as transferências do Orçamento de estado para a Câmara do Alandroal não aumentaram nos últimos anos. Sabemos que a actividade económica do concelho não aumentou nestes anos, logo as receitas de impostos também não. E sabemos que as receitas próprias são residuais e não vão além de 1% do orçamento.
Por outro lado, todos sabemos que a despesa da autarquia não tem parado de aumentar, quer por boas quer por más razões. Mais obras, mais equipamentos, mais funcionários, mas também mais festas, mais viagens, etc…
Portanto, diz-nos o bom senso que se as receitas não crescem e a despesa dispara, só há uma forma de continuar a manter as aparências: mais dívida! É assim numa câmara como em qualquer orçamento familiar.
Não há outra forma de explicar a gestão da autarquia nos últimos 8 anos. Acumulação de dívida.
Muitos dirão, “não se pode fazer obra sem acumular dívida”! Da mesma maneira que muitos de nós não conseguimos ter a nossa casa ou o nosso carro se não nos endividarmos para isso. De acordo. Mas será que este município se endividou até aos limites do impossível nos últimos anos para ter a “casa” ou o “carro” de que precisa para fazer a sua vida? Ou será que grande parte dessa dívida foi para as viagens, as festas, os luxos mundanos e o essencial ficou por fazer? Quando confrontarmos os números da dívida total da câmara com o que foi efectivamente gasto em “obra” vamos ter uma triste surpresa! E mesmo dessa “obra”, que parte dela é estruturante, geradora de emprego, dinâmica económica ou riqueza futura? Pois…muito pouco! Não são as rotundas com repuxos e os arranjos urbanísticos de praças que mudam um concelho e o preparam para o futuro!
Mas perguntam muitos: Como pode este cenário ser real se a cada data festiva somos confrontados com um programa de festas, sempre da responsabilidade única da autarquia, cada vez mais milionário? Não se conhecem limites orçamentais nem preocupações de transparência e clareza na gestão dos dinheiros públicos. Só interessa manter a ilusão de grandiosidade e se os alandroalenses se deitam cheios de orgulho por ter assistido na sua terra a um espectáculo com o Tony Carreira, acordam com os mesmos problemas de sempre no dia a seguir! É só disto que queremos viver? De ilusões de grandeza?
Quantas vezes já ouvimos que os alandroalenses ”têm o mesmo direito a assistir a grandes concertos que os habitantes dos concelhos vizinhos”? De preferência a custo zero, porque aqui há muitas dificuldades económicas mas, atenção, que já não somos pobres!
Também se quer fazer passar a ideia que “as verbas orçamentadas são para ser gastas, em exclusivo, em festas e festanças, touradas e concertos”. Nada mais errado! O que se gasta em viagens podia ser gasto em acção social, por exemplo. É a autarquia que define as suas prioridades na gestão orçamental!
O bom senso falará mais alto e a teoria do “absurdo” tem os dias contados.
Já agora, por curiosidade, não se conhece no concelho do Alandroal quaisquer necessidade de equipamentos colectivos de apoio aos mais idosos ou às crianças e jovens, de saneamento ou abastecimento de água, de famílias com carências várias?
Conversa gasta, para quem quer passar a ilusão de que tudo está bem e que o Alandroal evoluiu e até já está desenvolvido e à altura dos concelhos vizinhos, apesar de ter partido em clara desvantagem... o Tony até já actuou por duas vezes no concelho em pouco menos de 4 anos!
O Tony Carreira actuou em Reguengos nas Festas de Santo António de Junho passado. A autarquia estabeleceu um preço de entrada de 5 euros e estiveram milhares de pessoas a assistir. Fontes da autarquia local garante que esta receita pagou o espectáculo e ainda ajudou a pagar a restante festa. Mas estamos a falar de Reguengos, um município com pouca disponibilidade financeira, nada que se compare com o Alandroal!
Após a formalização da candidatura do MUDA às eleições autárquicas 2009, estamos nesta altura a preparar o Programa Eleitoral. O nosso primeiro objectivo é envolver a população pelo que, o MUDA convida todos os interessados a participar na elaboração do seu Programa Eleitoral. Queremos, igualmente, apresentar um Programa Eleitoral que seja o reflexo do nosso projecto de futuro para o concelho de Alandroal. Contudo, pretendemos acima de tudo “construir” um projecto viável e sustentável que assente numa realidade objectiva e mensurável, que não tenha por detrás truques virtuais ou teorias e máquinas de fabricar “absurdos”. É por essa razão que tornamos público o pedido formal de informação de carácter financeiro e económico apresentado a todos os órgãos autárquicos do concelho, Câmara e assembleias de freguesia. Acreditamos que só com transparência se pode construir um projecto de futuro para o nosso concelho.
João Grilo
Nota: Uma última nota para mais uma “festança” que se realizou ontem no Parque de Feiras, prova de que a crise também não chegou ao partido no poder. Parece que foi uma festa do PS, mas há coisas difíceis de perceber: a tenda foi montada pela mesma empresa que montou as da Expo, de tal maneira que o estrado em que a mesma assenta ficou logo desde essa altura. A existência de oposição é uma chatice porque obrigou a desmontar e montar uma tenda que podia ter ficado logo montada e que já começou a ser desmotada hoje! Gostávamos de saber quanto pagou o PS por ela! Os funcionários da câmara fizeram limpezas, trataram do som, fizeram convites, venderam senhas, etc…Se estiveram 500 ou 1000 ou qualquer coisa entre estes dois números todos sabemos porquê e nada disso nos impressiona. Contando com os muitos que vieram de fora (a “máquina” do partido não brinca em serviço), os muitos que se sentem obrigados a “picar o ponto” não vá a sua falta ser notada e a perseguição começar, e aqueles a quem deram uma senha na certeza de que a ida ao jantar lhes garantia um futuro emprego na câmara (pois, assim mesmo!), sobra um número amargamente reduzido dos que acreditam que o Alandroal vai no bom caminho! Siga a festa!!