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sábado, 27 de abril de 2013

Discuso do Presidente na Inauguração do Centro Escolar de Santiago Maior (25 de Abril de 2013)



Exmo. Sr. Presidente da Assembleia Municipal,
Exma. Sra. Delegada Regional de Educação do Alentejo, Dra. Maria Reina Martín,
Exmo. Sr. Director Regional do Alentejo do Instituto Português do Desporto e da Juventude, Dr. João Araújo,
Exmo. Sr. Director do Agrupamento Vertical de Alandroal, Prof. Tomé Laranjinho,
Exmo. Sr. Presidente do Conselho Geral do Agrupamento Vertical de Alandroal, Prof. Rui Barradas,
Srs. Vereadores, Srs. Presidentes de Junta e restantes autarcas,
Senhores professores, encarregados de educação e alunos desta escola,
Demais convidados,
Minhas senhoras e meus senhores,
Caras amigas, caros amigos,

Muitas vezes me perguntam o que significa para mim o “25 de Abril”.
Bem, penso que nada me pode ajudar melhor a explicar isso do que o momento que estamos a viver aqui hoje.

É que sabem, eu estudei nesta escola.
No dia 25 de Abril de 1974 tinha pouco mais de 4 anos e não tenho memórias desse momento. Mas pouco tempo depois entrei para aqui para fazer da 1ª à 4ª Classe, ali em cima, na sala onde agora está a nova biblioteca.

Nessa altura a escola resumia-se a pouco mais de duas salas com um quadro preto e um grande recreio. Havia mais meninos do que hoje por aldeia e todos vínhamos a pé de casa até à escola. Íamos almoçar a casa. Guardo muito boas recordações desse tempo em que a maior preocupação do dia  era acertar as “contas de dividir” dos trabalhos de casa.

Quando acabei a 4ª Classe continuei a estudar. O enorme sacrifício pessoal dos meus pais e a politica de generalização do ensino do país democrático em que estava a crescer permitiram que depois da 4ª Classe viessem o 2º e 3º Ciclos, o Secundário e a Universidade. E apesar de tudo, como sabem, não foi esta a regra na minha geração e a maior parte dos meus amigos de infância não chegaram à universidade.

Os meus pais também estudaram nesta escola, 20 e poucos anos antes. Mas os meus pais não tiveram sequer uma destas oportunidades. Nessa altura, para a maioria dos estudantes da nossa freguesia, depois da 4ª Classe vinha o trabalho do campo.

Hoje tenho uma sobrinha com 6 anos a estudar aqui, no 1º ano. Já fez aqui o pré-escolar (que na minha altura não existia). E hoje inauguramos para todos os meninos das freguesias de Santiago Maior e Ferreira de Capelins – incluindo a minha sobrinha – uma escola que para além das salas de aula (equipadas com quadros interactivos, etc.), tem uma biblioteca, um pavilhão gimnodesportivo, uma cantina, um campo de jogos...Todos estes meninos têm manuais escolares oferecidos pela autarquia, refeições gratuitas, a maioria beneficia de transporte, actividades de enriquecimento curricular, ensino da música, Leite Escolar, Fruta Escolar, entre outros apoios.
E este pavilhão gimnodesportivo vai estar também ao dispor de toda a comunidade local.

Esta é uma escola que todos esperamos dê a todas as nossas crianças a socialização e a formação inicial necessária para enfrentarem com sucesso um mundo cada vez mais competitivo, mais imprevisível e mais global.

Vejo, através das oportunidades de três gerações da minha família, o quanto este nosso país se desenvolveu no pós-25 de Abril e como o factor crítico desta mudança foi sem sombra de dúvida a transição para um regime democrático.
Foi a nossa democracia, cheia de falhas, cheia de erros e com muito para melhorar, que permitiu este desenvolvimento da nossa sociedade.
 E não é por estarmos hoje a viver um dos momentos mais difíceis – se não o mais difícil – da história da nossa jovem democracia que podemos deixar que alguém ponha estas conquistas em causa.

Portanto, o 25 de Abril para mim é isto. É liberdade, é igualdade, é fraternidade. Com certeza. Mas é também oportunidade. A oportunidade de ter uma vida melhor que a ditadura roubou a várias gerações de portugueses. E é reconhecimento e agradecimento profundo aos homens e mulheres que fizeram Abril.

Este Centro Escolar custou um total de 1 milhão e 980 mil euros, sendo que cerca de 830 mil euros correspondem ao Pavilhão Gimnodesportivo.
Uma parte substancial desse custo foi financiada por fundos comunitários a 85%, e portanto, a câmara ainda teve que investir aqui 592 mil euros de fundos próprios.
Esta é uma obra, que à semelhança de outras, não foi fácil de concluir, mas ela aqui está, ao dispor de todos.
A construção do centro escolar teve início ainda no anterior mandato, em Junho de 2009.
Em Fevereiro de 2009, antes do início da obra, a câmara recebeu um adiantamento de 128 mil euros para avançar com os trabalhos.
Nem um cêntimo desse dinheiro chegou ao construtor.
Quando iniciámos funções em Novembro desse ano,  o centro estava em obra há quase 5 meses e o construtor continuava sem receber um cêntimo.
O construtor entrou em insolvência e acabou mesmo por abandonar a obra, em Abril de 2011, data em que entrou uma nova empresa.

Portanto, esta é uma obra concluída e totalmente paga neste mandato. E o mesmo aconteceu com outras obras como o Complexo Desportivo do Alandroal ou o Arranjo Urbanístico da Praça da República e Rua João de Deus. Totalmente pagas neste mandato.

Algumas pessoas ainda tentam fazer passar a ideia de que o ritmo de execução de obras abrandou neste mandato, mas a realidade e os números provam o contrário.

Em 2012, executámos quase 1 milhão e 300 mil euros de fundos comunitários em obras no concelho. Em 2011, foram 850 mil. E em 2010, 650 mil.
Portanto, quase 3 milhões de euros de fundos comunitários executados em 3 anos.
Mas se recuarmos ao mandato anterior, verificamos que esses valores caem para 300 mil euros em 2009 e 600 mil euros em 2008.
Ou seja, só em 2012, em plena crise económica e com graves dificuldades financeiras, este câmara conseguiu, com muito esforço, executar 4 vezes mais fundos comunitários que em 2009, e mais do que em 2008 e 2009 juntos.

E é esse esforço que nos permite ver novas candidaturas aprovadas, como é o caso recente do Caminho Municipal 1109, entre Rosário e Ferreira. Para muito em breve, aguardamos a aprovação da candidatura de Remodelação das Infraestruturas de Águas e Esgotos de Pias, Casas Novas e Venda. A obra que esta freguesia precisa com mais urgência.

E é esse esforço que nos permite ter em obra a nova Creche de Santiago Maior, aqui ao lado, a Requalificação do Interior do Castelo, no Alandroal (praticamente concluída) e dezenas de pequenas obras em todo o concelho.

E é ainda esse esforço que nos permite olhar para o futuro com a confiança de que vamos conseguir, entre outras coisas, concluir a rede escolar do concelho com duas obras fundamentais: O Pólo Escolar de Terena e o Pavilhão Gimnodesportivo do Alandroal.
O Pólo Escolar de Terena – que estava para encerrar – está adjudicado e com contrato assinado e as obras vão ter início durante o mês de Maio.
E o Pavilhão Gimnodesportivo do Alandroal tem já um novo projecto em desenvolvimento para que seja candidatado a fundos comunitários pela autarquia.
Permitam-me um agradecimento especial ao empenho que quer a Dra. Maria Reina, quer o Dr. João Araújo, ainda ambos ao serviço da Direcção Regional de Educação do Alentejo colocaram nestes dois processos, assim como em tudo o que diz respeito ao Alandroal em matéria de Educação.

Por tudo isto, termino com um agradecimento a todos os que de alguma forma contribuíram para a concretização deste momento.
Mas permitam-me que o dedique a todas as crianças que aqui dão os primeiros passos do que desejamos que seja um longo percurso escolar, e aos pais e avós destas crianças que não tiveram essa oportunidade.

Muito obrigado a todos.

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