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domingo, 23 de setembro de 2012

Inauguração do Complexo Desportivo de Alandroal


Intervenção do Presidente da Câmara, João Grilo:


Exmo. Sr. Presidente da Assembleia Municipal,
Exmo. Sr. Director Regional do Alentejo do Instituto Português do Desporto e Juventude, Dr. João Araújo, em representação do Sr. Secretário de Estado do Desporto e Juventude e do Sr. Presidente do Instituto Português do Desporto e Juventude,
Exmo. Sr. Vice-Presidente da Federação Portuguesa de Futebol, Sr. Carlos Coutada,
Exmo. Sr. Vice-Presidente da Câmara Municipal de Reguengos de Monsaraz,
Srs. Vereadores, Srs. Presidentes de Junta e restantes autarcas,
Exmos. Srs. representantes dos clubes dos concelhos vizinhos,
Restantes convidados,
Dirigentes desportivos do concelho e atletas,
Minhas senhoras e meus senhores,
Caras amigas, caros amigos,

 É habito em inaugurações dizer-se maravilhas da obra em causa. Não vai ser o caso hoje.
Podíamos dizer que está muito bonito, que a vista é magnífica...mas ainda ficava muito por dizer.
É difícil explicar o que passa pela cabeça de um presidente de câmara na minha
circunstância quando tem que escrever umas linhas sobre num momento como este.
Os sentimentos são contraditórios e por detrás da alegria de ver concluído um grande objectivo, fica a angustia de saber tudo o que poderia ser diferente.

Quando iniciámos funções, em 03 de Novembro de 2009, esta obra estava em andamento há  6 meses (Maio de 2009) sem um cêntimo pago ao construtor.
Para além disso, estava a ser executado um projecto muito diferente daquele que tinha sido aprovado para financiamento comunitário e que nem sequer estava aprovado na câmara municipal.
Nesse projecto, ficavam de fora aspectos tão importantes como as marcações para rugby e “futebol de 7”, ou o alargamento da vedação.
Assim, foi necessário interromper os trabalhos para fazer as possíveis alterações de modo a garantir o financiamento comunitário e a continuidade da obra.

Mais ainda, para esta obra seria necessário um financiamento bancário de um milhão de euros para fazer face à contrapartida nacional que nunca chegou a ser autorizado por causa do excesso de endividamento da autarquia.
Face às dificuldades financeiras da autarquia, e como é fácil de perceber, foi extremamente difícil encontrar os fundos necessários para compensar essa falta de financiamento e concluir a obra.
Mas ela aí está.

Mas voltemos atrás, ao início desta história porque, do meu ponto de vista, foi logo no início, na opção de localização e na filosofia do projecto, que se escolheram as piores opções.

A Câmara Municipal do Alandroal, à semelhança  dos concelhos vizinhos,  teve acesso a uma candidatura a fundos comunitários para construção do “Primeiro Relvado” sintético do concelho que incluía bancadas, iluminação e alguns arranjos exteriores. Nesta medida do POVT (Programa Operacional Valorização do Território) poderia beneficiar de um financiamento de até 675 mil euros, para um investimento total de 965 mil.

Neste cenário o que fizeram os concelhos vizinhos do nosso para ter um campo relvado com um mínimo de custos?
Redondo, Borba ou Estremoz adaptaram os campos de futebol existentes às características do programa e do financiamento.
Nenhum dos municípios vizinhos optou por construir  uma novo estádio de raiz.

Mas o Alandroal tinha que ser diferente. O Alandroal não podia simplesmente adaptar o antigo campo aproveitando os fundos comunitários. Não. O Alandroal tinha que se fazer “à grande” – tinha que se fazer, como se dizia na altura, “o segundo estádio de Braga”, escavado na rocha!

Pois bem. Quanto é que esta opção custou a mais a todos nós?
Só para começar, representou logo 145 mil euros não financiados pagos pelo terreno.
A seguir, mais 83 mil euros para o projecto, pago como novo, mas adaptado do de Freixo de Espada à Cinta.
Depois, precisou de mais 200 mil euros não financiados para terraplanagens.
Os estacionamentos e outros aspectos não financiados custaram mais 630 mil euros.
Ou seja, num custo total de obra de 2 milhões de euros, 675 mil são financiamento comunitário e 1 milhão e 325 mil são fundos próprios que a câmara não tinha!
Este é um rácio ruinoso para qualquer câmara!
No total, comprometeu-se com esta obra um milhão de euros a mais do que era possível e seria desejável.
Só para vos dar uma ideia, face às obras que temos por fazer, este milhão de euros dava para construir o Pólo Escolar de Terena,  o pavilhão gimnodesportivo da escola do Alandroal (que está sem financiamento) e ainda fazer campos relvados em Santiago Maior, Terena e Rosário – localidades onde existe prática desportiva regular e onde esta necessidade é cada vez mais sentida.
Mas em vez disso está aqui, enterrado debaixo dos nossos pés!
Por isso deixem-me ser claro:
Esta localização não seria a nossa opção.
Este projecto não seria o nosso projecto.
Não é assim que se gasta dinheiro público.
Mas como todos sabem, não podíamos voltar atrás.
Tentámos corrigi-lo no que foi possível, aproveitar o financiamento ao máximo e, com muito sacrifício, colocá-lo ao serviço da população da melhor maneira possível como é nossa obrigação de autarcas responsáveis.

Paradoxalmente, ao mesmo tempo que se projectava este complexo desportivo, desaparecia, por razões que são do conhecimento de todos, o futebol sénior na sede concelho.
Com a conclusão desta obra poderão voltar a emergir as vozes que defendem o regresso em força da modalidade nos moldes de antigamente.
Deixem-me que mais uma vez vos fale bem claro: embora lamente que se tenha chegado a tal ponto, não sinto, neste momento, essa pressão.
Penso que já todos percebemos que não há, nem vai haver nos próximos anos, dinheiros públicos que possam sustentar altos voos nesta matéria e é bom que os sonhadores assentem os pés na relva ou procurem financiamentos de outras formas.
Estaremos cá para  apoiar todas as ideias que tenham sustentabilidade associada, mas deixem-me dar-vos uma garantia: os poucos recursos da autarquia vão continuar a ser canalizados para a formação de jovens nas diferentes modalidades e para o futebol no seu estado mais amador.
Queremos desmultiplicar cada euro que é investido no desporto pelo máximo de praticantes locais possível.
Enquanto estiver nas nossas mãos, o dinheiro de todos nós não será usado para que joguem no Alandroal “profissionais” de fora do concelho.

Aproveito para deixar aqui um apelo à Federação Portuguesa de Futebol, na pessoa do seu vice-presidente, para que olhe para o momento dramático que vive o futebol dos escalões jovens e o futebol amador face às dificuldades das autarquias e das empresas em canalizar recursos para apoiar estas modalidades.
Sejamos claros, sem o apoio da autarquia não haveria neste momento no concelho do Alandroal, assim como em outros concelhos do país, qualquer actividade a este nível.
É por isso urgente encontrar novos modelos de financiamento destas modalidades. É preciso que o futebol profissional cumpra o seu dever social de apoiar a formação dos jovens.

Neste campo vão realizar-se os jogos do Campeonato do INATEL da equipa da Associação Alandroal United.
Neste campo vão jogar e treinar alguns dos escalões de formação do Centro de Cultura e Desporto de Terena.
Neste campo vai funcionar a escola de rugby do Clube de Rugby de Juromenha.
Neste campo, o Santiago Maior e o Rosário vão realizar alguns dos seus jogos e treinos.
Neste campo vão realizar-se torneios e encontros desportivos mobilizadores da prática desportiva e capazes de trazer visitantes ao concelho.
Neste campo, o agrupamento de escolas, as associações, os veterenos, os grupos de amigos – de forma organizada e devidamente regulamentada – vão poder fazer os seus jogos.
Parece-nos que esta já será uma excelente ocupação e rentabilização de um espaço que se quer de todos e para todos.
Não é preciso “inventar” mais nada!

E oxalá consigamos assegurar no futuro os recursos financeiros necessários aos funcionamento de todas estas actividades, já que os custos de manutenção de uma estrutura destas são muito elevados, como todos podem calcular.

Disponibilizar hoje à população esta obra – com todos os problemas que ela apresentava, sem o financiamento bancário que era esperado e no momento difícil que atravessamos – representa para todos nós uma grande vitória só possível graças à determinação e empenho dos eleitos, mas também ao trabalho sério, competente e rigoroso dos técnicos da autarquia, responsáveis pela totalidade do seu acompanhamento.

É graças a este esforço conjunto que estamos a concluir outras obras que herdámos com problemas semelhantes e que estamos também a lançar novas obras e a projectar muitas outras.

O Centro Escolar de Santiago Maior já está em funcionamento, a obra de Requalificação do Interior do Castelo do Alandroal está em andamento. Na próxima semana têm início as obras da creche de Santiago Maior e já está a decorrer o concurso público para a obra de Requalificação do Pólo Escolar de Terena. Só para vos dar alguns exemplos.

Mas no que a esta obra em concreto diz respeito ainda não podemos ficar por aqui. Há ainda lacunas a corrigir, e como todos podem constatar, a zona envolvente a este Complexo Desportivo, no lado que coincide com o acesso à vila, precisa agora de obras de requalificação que não estavam projectadas.
Já estamos a trabalhar neste projecto e vamos tentar aproveitar o espaço para criar mais um recinto desportivo onde seja possível praticar outras modalidades como o ténis, o basquetebol ou o futebol de 5.

Portanto meus amigos, e em conclusão, se soubermos aprender com os erros do passado, e porque é o futuro que nos interessa e motiva, podemos dizer que este é um dia de alegria.
Podemos dizer que é um dia de festa para as crianças, para os jovens e para todos os munícipes que vão a partir de hoje tirar partido desta infraestrutura.

Muito obrigado a todos.

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