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domingo, 3 de abril de 2011

MUDA INFORMA



Cordão humano em Alandroal contra alterações ao transporte de doentes não urgentes
Sábado, 02 Abril 2011 21:19
Várias centenas de pessoas participaram hoje na vila alentejana de Alandroal num cordão humano, em protesto contra as alterações introduzidas no transporte de doentes não urgentes.

O cordão humano, que integrou pessoas das várias localidades do concelho de Alandroal, decorreu entre a Praça da República e o Centro de Saúde da localidade.

O presidente do município, João Grilo, que integrou a iniciativa, disse à Agência Lusa que o objetivo do cordão humano foi o de “chamar a atenção para os problemas que se vivem atualmente em relação ao transporte de doentes não urgentes”.

“Temos um registo contínuo e constante de situações de pessoas que deveriam beneficiar de transporte face às suas situações clínicas e que não estão a ter esse benefício”, salientou o autarca, eleito por um movimento independente.

João Grilo referiu ainda que “não se pode permitir que pessoas que têm direito a transporte para consultas, exames médicos e tratamentos, fiquem privadas desse direito, e não tendo condições económicas para as deslocações, fiquem em casa”.

“O mais importante é que todas as entidades se conjuguem para que nem uma pessoa que tenha direito a transporte para consulta ou para fazer tratamento ou exame médico, fique privada desse direito”, realçou.

Segundo o autarca, vai decorrer na sexta-feira outra reunião, sobre esta situação, entre a autarquia e as entidades responsáveis pela saúde no concelho e no distrito de Évora.

O deputado do PCP eleito pelo círculo de Évora João Oliveira, que participou também no cordão humano, considerou que “medidas deste tipo, de corte no transporte de doentes e nos direitos à saúde fazem-se sentir no concelho de Alandroal de uma forma duplamente gravosa”.

“Trata-se de uma região com uma população envelhecida, com poucos recursos económicos e que não tem condições de custear aquilo que é um direito que a Constituição prevê, o direito à saúde”, salientou.

Rita Martins, 62 anos, residente em Alandroal, participou no cordão humano para exigir que seja “resolvida a situação do corte nas credenciais” para o transporte de doentes não urgentes.

Outro residente no concelho, Manuel João Palhoco, 77 anos, que integrou a iniciativa, disse à Lusa que “é um problema a falta de transporte para os doentes”, acrescentando que “as reformas são baixas e não chegam para pagar as deslocações”.

O vereador do município de Alandroal, Custódio Costa (CDU), numa intervenção junto ao Centro de Saúde, exigiu a “revogação o mais rapidamente possível do despacho do Governo” relacionado com o transporte de doentes não-urgentes.

Assinado pelo secretário de Estado da Saúde, Óscar Gaspar, o despacho, que entrou em vigor a 01 de janeiro, determina que o acesso ao transporte pago pelo Ministério da Saúde passa a ter que responder obrigatoriamente a dois requisitos: prescrição clínica e insuficiência económica.


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