Seguir por Email

sexta-feira, 8 de março de 2013

ENTREVISTA DE JOÃO GRILO AO "TERRAS BRANCAS"




João Maria Aranha Grilo, professor. Em 2005 deixou o ensino para assumir a vice-presidência da Câmara Municipal de Alandroal, na altura, pelo PS. Divergências com o então presidente, levaram João Grilo a não terminar o mandato para o qual tinha sido eleito. Juntamente com outros alandroalenses, formou o Movimento Unidade e Desenvolvimento de Alandroal (MUDA), movimento pelo qual concorreu às autárquicas 2009, acabando por vencer por 7 votos! Em final de mandato, e enquanto decorre a IV Mostra Gastronómica do Peixe do Rio, falei com o actual presidente da Câmara Municipal de Alandroal, em mais um “Encontros no Alto da Praça”.


1.      João Grilo, a terra e a água estão intimamente ligados ao concelho do Alandroal. Grande extensão de terra, um dos maiores concelhos do Pais e, agora, muita água, mercê da construção da Barragem do Alqueva. Comecemos por falar da terra, do espaço que gere, dos parcos recursos financeiros, das diferentes freguesias do concelho, e da aposta no desenvolvimento do interior alentejano. Presidente, a tarefa não tem sido fácil?

Não, não tem sido fácil. Sobretudo pelo ponto de partida de onde fomos obrigados a começar. Mas por isso mesmo temos mostrado que somos capazes de gerir o município no contexto mais difícil das últimas décadas. Estamos a pagar dívidas, a equilibrar as contas, a fazer obras, a reorganizar a câmara, a melhorar respostas sociais e educativas. Estamos a provar que é possível fazer muito com muito pouco e que uma estratégia concertada de desenvolvimento sustentável pode fazer crescer o concelho ao longo do tempo.


2.      Sendo este um dos maiores concelhos do Pais, o Alandroal está também adjectivado de ser um dos mais pobres. Que medidas tomou, está a tomar ou pensa vir a tomar para mudar esta opinião?

Costumo dizer que não somos tão pobres como nos pintaram no passado nem tão ricos como nos quiseram fazer crer há pouco tempo. Somos um concelho com um grande potencial agrícola e agro-pecuário que se pode traduzir também numa grande riqueza agro-industrial, assim haja investimentos. Temos potencial mineiro como já aconteceu no passado e pode voltar em breve a acontecer com as prospecções que estão em curso. Temos potencial para as energias alternativas, designadamente a termo-solar, com alguns interesses manifestados. E temos todo o potencial turístico que proporciona uma natureza quase intacta. A câmara apostou na criação de condições favoráveis à fixação de empresas, ajudou a criar uma associação empresarial e está a promover o contacto entre empresários, como é exemplo a parceria recente com Olivença. O momento não é o melhor e os empresários estão com uma atitude defensiva resultado do sentimento que se vive no país e na Europa. Por exemplo, só ao nível do turismo temos projectos aprovados na câmara – e alguns com financiamentos comunitários garantidos – que triplicam o número de camas do concelho. É preciso ultrapassar esta instabilidade e voltar a acreditar no futuro da região.

3.      Nos Censos de 2011, o concelho de Alandroal apresenta uma perda de mais de 11% da população residente, em comparação com os Censos de 2001. Que comentário lhe merece estes números? Como se pode inverter esta tendência?

Este é um cenário comum a todo o interior do país. E quando falo de interior estou já a incluir quase dois terços do território. É a prova de que não existem politicas de nível nacional destinadas a combater esta tendência e as politicas dos municípios também nem sempre foram as melhores. Apostou-se demasiado no “betão” que melhora o sentimento de “qualidade de vida” das pessoas mas que só por si não é suficiente para as segurar no território. O factor crítico para fixar pessoas é o emprego e hoje as autarquias não podem continuar a pensar na criação de emprego através delas próprias. Os autarcas tem que ser cada vez mais agentes de desenvolvimento local, promotores das dinâmicas económicas e empresariais e das potencialidades dos seus concelhos e cada vez menos construtores de rotundas. Dá mais trabalho e menos garantias de “retorno eleitoral” imediato, mas será fundamental para o futuro. Por outro lado, é preciso não esquecer que se não fosse a grande vontade dos municípios de segurar e atrair população o cenário ainda seria bem pior. Enquanto o país não assumir como estratégico o desenvolvimento equilibrado de todo o território com politicas sérias, concretas e contínuas, será muito difícil que os municípios, só por si, o consigam.


4.      Concelho raiano, com fortes ligações à Estremadura espanhola, pode encontrar aqui o(s) parceiro(s) para o desenvolvimento da região. O recente “piscar de olhos” a Olivença, com a assinatura do Convénio de colaboração entre os dois concelhos, é um sinal que é este o caminho a seguir?

Sem dúvida. Com Olivença temos uma história e uma cultura em comum que é importante valorizar, e do lado de Olivença existe um grande interesse em valorizar esse legado e em tudo o que é português. Mas também temos uma proximidade territorial muito grande. Os dois concelhos estão separados apenas pelo Guadiana/Alqueva e Juromenha e Villareal estão frente a frente e representam a porta de entrada no Alqueva para os dois países. O todo é sempre maior que a soma das partes, e Alandroal e Olivença, em conjunto, representam um potencial económico, turístico e cultural que deve ser profundamente explorado. Queremos apresentar aos dois países um produto turístico único, baseado na história, na cultura e no imaginário raiano que permita conjugar experiências únicas com o rio pelo meio. Esta ideia tem um grande potencial de dinamização económica dos dois territórios e é uma das nossas grandes apostas.

5.      E do “lado de cá”, com os concelhos lusos vizinhos, a cooperação tem sido a desejada?

Do lado de cá colaboramos, conversamos, mas depois cada um refugia-se ou vê-se forçado a refugiar-se na resolução dos problemas do seu território e no muito que há por fazer e as ideias de colaboração avançam lentamente ou vão ficando para trás. Há tempos chegou a estar em cima da mesa a ideia de uma “Associação de Municípios da Zona dos Mármores” que depois de muita discussão não saiu do papel. É uma pena, porque todos tínhamos muito a ganhar com a escala que isso representava. Temos projectos comuns, como a “Rota Tons de Mármore” que envolve os 5 municípios e a Entidade Regional de Turismo que pode ser apontada como exemplo de colaboração a seguir. Talvez as dificuldades nos obriguem a todos a colaborar mais no futuro.

6.      A água, a muita água da Barragem do Alqueva que banha grande parte do concelho de Alandroal, origina uma aposta forte no turismo. A IV Mostra Gastronómica de Peixe do Rio, que está a decorrer até dia 10, é disso um exemplo. Quais as expectativas, assim como as novidades para este certame?

As expectativas são de que apesar das dificuldades que estamos a viver, os restaurantes voltem a estar cheios nesta altura, ajudando a manter um sector que está a passar por dificuldades. Até porque o peixe do rio tem a vantagem de ser um produto de grande qualidade e interesse gastronómico mas também, em regra, bastante acessível no que diz respeito a custos e os preços praticados nos nossos restaurantes durante a mostra são a prova disso. Quanto a novidades, a principal é a criação de um centro de acolhimento na Praça da República onde os visitantes podem encontrar toda a informação sobre a mostra, as actividades, os restaurantes aderentes, a que distancia ficam, quais os pratos de que dispõe e um apoio a reservas de moda tentar distribuir os visitantes por todos os restaurantes de forma equilibrada e evitar filas de espera em alguns. Neste espaço também convidamos os visitantes a conhecerem os produtos regionais do concelho.

7.      Com a aposta neste evento, pretende tornar o Alandroal num destino gastronómico?

O Alandroal tem um conjunto de restaurantes com grande qualidade que o tornam um interessante destino gastronómico ao longo do ano. Por todo o concelho há também lugares menos conhecidos mas onde se pratica uma cozinha muito genuína e muito interessante. Com este evento procuramos associar essa procura à grande tradição do concelho em relação ao peixe do rio e mostrar tudo o que temos de melhor para diferentes gostos e carteiras mas sempre com garantia do que é genuíno e autêntico. 


8.      A aposta é bastante diversificada, alem da gastronomia, o Alandroal proporciona também amplos locais de lazer. O Guadiana mudou de “cara”, agora está bem mais cheio, ultrapassou inclusive as margens e passou a ser um local bastante procurado pelos populares para gozarem algum do seu tempo livre. É objectivo do actual executivo proporcionar mais e melhores condições, tais como melhores acessibilidades, pista de pesca desportiva, pista de canoagem, etc…, a quem vos visita?

Sim, o potencial para desportos e lazer ligados à água é muito grande e está a começar a ser explorado. E esse potencial existe não apenas no Alqueva mas também na barragem do Lucefecit. Em Juromenha já está instalada uma empresa de animação turística dedicada a estas actividades e há espaço para se fazer muito mais. Temos em preparação a criação de uma pista de pesca em Juromenha e planos para duas áreas recreativas e de lazer, Águas Frias (Rosário) e Azenhas D´El Rei (Montejuntos) que aguardam investidores privados.


9.      O fomento da actividade desportiva, em especial com o incremento dessa actividade nas diferentes colectividades das freguesias rurais, é notório. Curiosamente, o grande investimento em equipamentos desportivos, com a conclusão do Complexo Desportivo de Alandroal, acabou por acontecer na sede de concelho, onde a actividade desportiva oficial é praticamente nula. Como justifica esta medida, e de que forma pensa dinamizar este espaço?

O município apoia o desporto onde há vontade local para que ele se pratique e, por isso, temos apoiado os projectos das colectividades em todo o concelho. Infelizmente, a política de investimentos em equipamentos desportivos não acompanhou as vontades locais e concentrou-se no Alandroal. O que se gastou no Complexo Desportivo do Alandroal chegava e sobrava para criar melhores condições para a prática desportiva em Santiago Maior, Terena, Rosário e Alandroal. Temos que olhar em frente e procurar corrigir essas assimetrias, embora o momento seja difícil. Quanto ao Alandroal, o nosso objectivo é colocar a infraestrutura ao serviço da prática desportiva do maior número de munícipes possível. Neste momento realizam-se ali treinos e jogos, do INATEL (Alandroal United), dos escalões de formação (Terena e Rosário) e dos veterenos. Temos prevista ainda a criação de uma escola de rugby em colaboração com o Clube de Rugby de Juromenha.


10.   2013 é ano de eleições Autárquicas. Mais lá para o final do ano, os actuais executivos vão ser “avaliados”, e o Município de Alandroal não será excepção. Qual o balanço que faz do presente mandato à frente do município alandroalense?

O mandato ainda não chegou ao fim, e no tempo que ainda falta pretendemos lançar mais alguns projectos e iniciativas que, a somar ao trabalho já desenvolvido, nos vão permitir considerar que os grandes objectivos para o mandato foram alcançados. O mais importante deste mandato era consolidar as contas, reestruturar a câmara, recuperar a credibilidade interna e externa da autarquia e lançar as bases de um desenvolvimento sustentado. Penso que esse trabalho estará, em larga medida, conseguido em Outubro. Foi isto que prometemos às pessoas.

11.   Na região, o Alandroal é o concelho onde o quadro de candidatos às próximas autárquicas está mais avançado. Já são conhecidos três candidatos, mas continua no segredo dos deuses a recandidatura do actual presidente. O Movimento Unidade e Desenvolvimento de Alandroal, vai a votos? João Grilo é o candidato?

O Movimento Unidade e Desenvolvimento de Alandroal vai seguramente a votos. Desenvolveu um trabalho que lhe permite apresentar-se aos eleitores com um sentimento de dever cumprido e com legitimidade para pedir, com humildade, a renovação da confiança dos eleitores no projecto. Quanto à minha recandidatura nem está no segredo dos deuses nem é tabu. Deve sair de dentro do movimento e não de declarações unilaterais, só isso.

12.   Por estes dias, o Alandroal tem sido também comentado por algo que manchou o quotidiano alandroalense. O Tribunal de Redondo recebe o julgamento do ex-presidente do Município de Alandroal, e actual candidato, João Nabais. Como presidente do Município de Alandroal, município lesado neste processo em mais de 750 mil euros, que comentário lhe merece este processo, sendo que os factos que são levados a julgamento remontam à altura em que fazia parte de executivo na qualidade de vice-presidente?

Como representante do município que surge na qualidade de lesado neste processo, não devo pronunciar-me sobre qualquer aspecto do mesmo.

13.   O Alandroal em particular, e o Alentejo em geral, têm futuro?

O Alandroal e o Alentejo têm futuro porque não acredito em inevitabilidades. Quando oiço dizer que as projecções técnicas apontam para que se continue a perder população, a aumentar a desertificação e a diminuir o investimento num território com tantas potencialidades tenho dificuldades em perceber que alguns políticos aceitem esses “cenários” e trabalhem para “esses” realidades. Penso que os políticos existem para contrariar esses cenários, vencer inevitabilidades e ajudar a construir as realidades que queremos para o futuro. Só assim se justifica que existam. E penso que todos os que temos responsabilidades politicas temos a obrigação de construir esse futuro e não defraudar a nossa região. 

ENTREVISTA DE JOÃO GRILO AO AL-TEJO (Cont.)



Considera-se um político de carreira? Pensa continuar mesmo que não venha a ser o próximo Presidente da Câmara prosseguindo a vida politica? Isto é, aceitaria desempenhar o cargo de Vereador mesmo se não vier a vencer as eleições?

Nunca me poderia considerar um político de carreira porque fiz o meu percurso e a minha carreira no ensino e num determinado momento senti que podia fazer uma pausa nessa carreira e dedicar-me ao meu concelho. É isso que tenho estado a fazer e só nesta perspectiva é que encaro a vida política. Só esta perspectiva é que me permite que esteja de corpo e alma num projecto mas sempre pronto para voltar a essa carreira se for necessário, sem me sentir refém de nada nem de ninguém. Penso que já demonstrei que não estou agarrado a lugares nem a tentar fazer carreira. O que me move são as convicções e é por elas que pretendo continuar enquanto sentir que faz sentido. Em politica, como na vida, tão importante como escolher o momento para entrar é saber escolher o momento para sair. Espero vir a ter a sabedoria necessária para um dia não deixar passar esse momento.
O MUDA tem um projecto de desenvolvimento para o concelho que está longe de se esgotar nestes quatro difíceis anos que agora terminam. Pelo contrário, é nos próximos 4 a 8 anos que esperamos que todos, no concelho,  possamos colher os frutos deste trabalho. Como tal, não nos passa pela cabeça que este ciclo fundamental para o futuro do concelho seja interrompido antes do tempo. Mas isso o povo é que vai decidir, soberanamente, através do voto. Qualquer pessoa que se apresenta a eleições tem que ter a humildade para ocupar o lugar que os eleitores lhe reservarem. É uma das mais elementares regras democráticas e de respeito pelos eleitores.

Acredita que consegue até ao fim do Mandato colocar o Município a salvo do garrote das dívidas contraídas e que, enquanto Presidente, poderá concretizar as medidas preconizadas na Agenda 21 Local?

Como já disse, os passos necessários para isso já estão dados. Com a aprovação pela Assembleia Municipal do Plano de Reequilíbrio do Município é só já uma questão de tempo até que o mesmo seja uma realidade. Esse plano representa  dificuldades e constrangimentos, uma vez que ao longo de 20 anos vamos ter que amortizar mais de um milhão de euros de dívida por ano – dinheiro que devia ser usado para o desenvolvimento do concelho nos próximos mandatos – mas, apesar de tudo, este plano assegura uma margem de investimentos que nos permite acreditar na implementação da Agenda 21 Local. É nesse equilíbrio difícil entre pagar dívidas e fazer investimentos que temos que construir o nosso futuro. Sendo certo que o “tempo das vacas gordas” passou e hoje vivemos uma realidade completamente diferente no país e no mundo. No Alandroal, em particular, as vacas nem sequer eram gordas, estavam inchadas de endividamento para bem parecer. Nem somos tão pobres como nos pintaram no passado nem tão ricos como recentemente nos quiseram fazer parecer. Somos um concelho onde é preciso arregaçar as mangas, falar menos e trabalhar mais!


II.

Trace-nos um brevíssimo diagnóstico para o Concelho do Alandroal em termos de presente? Acha que temos um futuro prometedor?

Se não acreditasse num futuro prometedor para o concelho não andava aqui.
Temos futuro porque somos um concelho que pela riqueza natural e patrimonial, pela história e cultura, pelas acessibilidades e proximidade com Espanha, por estar simultaneamente na Zona dos Mármores e em Alqueva tem um potencial de desenvolvimento acima da média dos concelhos vizinhos e dos concelhos do interior no geral, mas não há milagres. Só com muito trabalho ao longo do tempo se pode concretizar essa realidade. Acredito nessa realidade e nestes quase quatro anos fiz tudo para criar os “alicerces” que nos aproximam dela. Gostava de continuar a dar o meu contributo para o crescimento das “paredes” deste edifício nos próximos anos e um dia ver concretizado o mais que merecido “telhado” para os nossos filhos e netos. Porque acredito neste edifício chamado “Concelho do Alandroal”.
O que sempre faltou ao concelho foi trabalho sério e estratégia de longo prazo.
Sempre ouvi dizer que “temos a vantagem de estar perto de Espanha”, mas nunca vi ninguém fazer nada para tirar partido disso. Agora, pelo contrário,  estamos a trabalhar a sério com Olivença e queremos chegar a Badajoz, Cáceres e Mérida. Nunca antes tinha havido, do ponto de vista político, o mais pequeno esforço de aproximação. Houve geminações com Cuba, Cabo Verde, Brasil que a única coisa que deixaram foi grandes contas para pagar e nunca se olhou para o lado, onde os benefícios para as populações podem ser simples e imediatos.
Sempre ouvi dizer que “o Endovélico é único no mundo e só nosso” mas nunca vi ninguém fazer nada para o promover ou criar um museu. Agora, pelo contrário, criámos o “Terras do Endovélico”, estamos a projectar o museu, criámos o centro de estudos, estamos a apoiar publicações, escavações, etc.
Sempre ouvi dizer que “temos um grande tradição no peixe do rio  e o nosso concelho é conhecido por isso”, mas nunca vi ninguém fazer nada para promover essa tradição e com isso trazer visitantes. Agora, pelo contrário, criámos a “Mostra Gastronómica” e já se pode comer peixe do rio em todos os restaurantes do concelho (antes da mostra havia um único a servir peixe) e a procura de peixe já permite a existência de pescadores profissionais.
Sempre ouvi dizer que “os nossos monumentos, os nossos castelos, são a nossa maior riqueza”, mas muito pouco se fez para os recuperar e tornar atraentes para os visitantes. Vendeu-se gato por lebre até à exaustão com “o concelho dos três castelos” que depois eram três ruínas que causavam – e ainda causam –grande desilusão aos turistas. Agora, pelo contrário, temos um plano contínuo de intervenções no património que já começou no castelo do Alandroal, vai estender-se à fonte da praça e à Capela da Boanova, ao castelo de Terena e à Misericórdia de Terena, Rocha da Mina, o Posto da Guarda Fiscal de Montejuntos, para mencionar os que já tem trabalho em desenvolvimento.
Sempre ouvi dizer que “o nosso concelho tem um grande potencial turístico, agrícola e agro-industrial” mas nunca vi a câmara fazer nada de concreto para ajudar os empresários a construir essa realidade. Agora, pelo contrário, ajudámos a criar uma associação empresarial, temos em desenvolvimento investimentos comuns com a Associação de Beneficiários do Lucefecit, estamos a estabelecer pontes com Espanha e com outros países da Europa, e tudo sem sair de cá! É verdade que é o momento mais difícil para este trabalho, mas por isso mesmo é que não podemos perder mais tempo.
E podia continuar com o “sempre ouvi dizer” e “nunca vi fazer”. Porquê? Ajudem-me a responder os que puderem, mas a verdade é que estava tudo aí, à espera de ser feito.
É claro que os resultados de uma estratégia deste tipo demoram a aparecer. Não dão votos no imediato. É um risco para quem governa mas é o que o concelho precisa. E sempre se apostou em estratégias mais “seguras” de curto prazo. Mas imagine onde estaríamos hoje se todas estas estratégias de desenvolvimento tivessem sido começadas há 30, 20 ou mesmo 10 anos atrás!
Mais vale tarde que nunca – teremos que dizer – mas está aqui grande parte da explicação para o nosso atraso histórico em relação aos concelhos vizinhos.


Em que situação estão as obras da Biblioteca Municipal? E já agora que utilidade se pretende dar ao Parque onde se fizeram as Expo-Guadiana?

A obra da biblioteca municipal começou em 3 de Junho de 2005 e tinha um prazo de execução de um ano. Tinha um custo total de cerca de 1,5 milhões de euros. Financiada a 50% pelo Terceiro Quadro Comunitário de Apoio (QCAIII) e 45% pelo Instituto Português do Livro e das Bibliotecas (IPLB), à câmara correspondia apenas 5%, ou seja 75 mil euros.
Os projectos do QCAIII tinham que ser executados até à data final de encerramento do quadro comunitário, Junho de 2009, o que não se veio a verificar.
Portanto, hoje, a situação é a seguinte: precisamos ainda de mais de 500 mil euros para concluir a obra e estamos a ser pressionados pela CCDR para devolver mais de 360 mil euros de financiamento recebido. Ou seja, uma obra que teria custado à câmara 75 mil euros se tivesse sido concluída no prazo previsto (ou mesmo em quatro vezes o prazo previsto!) exige, hoje, para ser concluída quase um milhão de euros dos escassos recursos da câmara. É esta a dimensão do problema.
Quanto ao chamado “parque de feiras e exposições” é de longe o local onde, ao longo do tempo, das mais diversas formas, mais dinheiro “se enterrou”.
É impossível calcular com exactidão tudo o que ali se gastou: custo do terreno, sucessivas terraplanagens e instalação de equipamentos eléctricos (cada vez que havia uma feira), aluguer de tendas e outros equipamentos, construção de vedações (foram feitas pelo menos duas, a última em 2009), etc. Foram milhões que não se traduziram em nada.
Para além disso, o projecto de um “mega-pavilhão de eventos” no parque de feiras estava totalmente desajustado da nossa realidade como se tem provado em concelhos vizinhos. O actual quadro comunitário já não estava orientado para financiar projectos deste tipo e o que se conhece do próximo, ainda menos.
Hoje temos em desenvolvimento um estudo prévio que oportunamente será apresentado à população para discussão e que prevê uma total inversão da filosofia do espaço numa lógica de “parque verde” com espaço para a praça de touros e um picadeiro com escola de equitação (numa lógica de concessão privada), jardins, circuito de manutenção, “skate-park”, hortas comunitárias, etc.


Pode adiantar-nos  algo mais sobre o andamento das Comemorações dos Forais?

Este era outro assunto que estava totalmente esquecido e que não podemos deixar de assinalar com a devida dignidade pela sua importância histórica e pela circunstância de termos três forais num único concelho. As Comemorações dos 500 Anos dos Forais Manuelinos de Juromenha, Terena e Alandroal estão a decorrer de Outubro de 2012 a Janeiro de 2016 com os principais eventos agendados para o período de Outubro de 2014 a Outubro de 2015. Já está constituída uma comissão “ad hoc” para orientar científica e culturalmente os trabalhos, estão estabelecidos os contactos com o Arquivo Nacional da Torre do Tombo para o restauro dos exemplares do município e contamos apresentar o programa das comemorações muito em breve em data e local a designar. As comemorações envolvem o restauro dos originais, uma edição “fac simile” conjunta dos 3  forais e podem ainda envolver recriações históricas, conferências, exposições e outros momentos distribuídos pelas três localidades do concelho.


Esclareça-nos sobre o projecto “Endovelico”?  As pessoas continuam envolvidas?

O projecto “Endovélico” é e continuará a ser uma das nossas grandes prioridades. Como traço cultural, é um dos nossos principais factores de diferenciação e de afirmação mas a verdade é que, mesmo dentro do concelho, ainda muitas pessoas desconhecem a real importância que este deus e o seu culto teve no contexto da Lusitânia romana.
Neste mandato desenvolvemos o estudo prévio do centro interpretativo/museu em colaboração com o Museu Nacional de Arqueologia e contamos apresentar o projecto definitivo em Julho próximo. Será um espaço onde o espólio do Endovélico terá um lugar central mas muito interactivo, capaz de mostrar às crianças e jovens das escolas o que era a vida romana no nosso território há 2000 anos atrás. Será também um verdadeiro museu do concelho com uma forte componente etnográfica e da relação com a fronteira. Contamos que seja um espaço capaz de atrair de forma contínua um número significativo de visitantes com destaque para estudantes de todo o país mas também de Espanha.
Lançámos o Festival “Terras do Endovélico”, que terá este ano a sua terceira edição, num formato que conjuga a promoção cultural com a feira de actividades económicas, num modelo muito sustentável mas que procura ser o ponto alto da afirmação do território.
Criámos o “Centro de Estudos do Endovélico” que está a juntar os especialistas na orientação científica do projecto do museu, mas também a criar outras dinâmicas, com destaque para o programa educativo que vai levar a arqueologia até às escolas e a todas as crianças do concelho.
Estamos a desenvolver um documentário sobre as “Terras do Endóvelico” (para apresentar em Julho), financiado por fundos comunitários, e que será um importante cartão de visita do concelho.
Fruto do trabalho do centro, teremos, também em Julho um congresso científico que vai juntar todos os investigadores nacionais e internacionais da temática. As comunicações deste congresso darão corpo à primeira edição dos “Cadernos do Endovélico” que ao longo do tempo continuarão a nova produção científica e a enriquecer o centro de estudo.
Para nós o mais importante é que as crianças e as pessoas do concelho conheçam e valorizem este legado histórico e cultural. Só assim poderemos aumentar a nossa auto-estima em relação ao concelho e à sua riqueza cultural e transmitir aos visitantes.
Como parte desta estratégia posso adiantar que, antecedendo o congresso de Julho, a câmara vai organizar um conjunto de visitas guiadas de pequenos grupos ao Museu Nacional de Arqueologia para que conheçam a real importância deste legado no contexto da Arqueologia nacional.


Uma das acusações de que é alvo, é a da fraca oferta cultural apresentada no Fórum Cultural (principalmente o pouco aproveitamento do projecto TEIAS) e do modo como o responsável da programação foi demitido. Concorda com essas criticas? Pode justificar-nos os motivos da sua posição?

Não concordo em absoluto com o “pouco aproveitamento do programa TEIAS” porque a câmara não só vai esgotar os espectáculos que lhe estavam reservados como ainda vai aproveitar algum do financiamento que estava reservado para outras câmaras, que não foi por estas utilizado, para contratar novos espectáculos. Considero até particularmente interessante o modo como estamos a utilizar o serviço educativo do programa para dar apoio às actividades da biblioteca municipal que graças a isso e ao restante trabalho está a desenvolver uma actividade digna de nota.
Quanto à suposta “fraca oferta cultural” – questão que, em boa verdade, ainda não me foi colocada por nenhum munícipe directamente – provavelmente, estão em causa diferentes conceitos de cultura e de disponibilidades.
Para nós a “forte” oferta cultural não significa um conjunto sucessivo de actuações de “nomes sonantes” no Fórum Cultural a um preço que o município não poderia pagar em circunstâncias normais, quanto mais em situação de grandes dificuldades financeiras e para um público muito restrito.
O que tínhamos era um grande consumo de recursos para chegar às poucas dezenas de pessoas que frequentavam o “Café-Concerto” ou que assistiam aos espectáculos do auditório.
Para nós a prioridade é e será sempre promover uma cultura que chegue às pessoas e de que as pessoas façam parte. Por isso canalizamos os poucos recursos que temos prioritariamente para esse fim.
Estamos a apoiar de forma mais consistente os projectos culturais existentes no concelho, como a Banda da Escola de Música do Centro Cultural do Alandroal que já conta com uma banda juvenil recentemente criada.
Apoiámos os Cantadores dos Reis com a edição do CD.
Estamos a financiar novos projectos como o grupo de música tradicional “Trigueirão do Relheiro” de Hortinhas e, da mesma forma, vamos apoiar a criação de um rancho folclórico. Nada disto existia.
Estamos a proporcionar às crianças aulas de guitarra através da Escola Popular e iniciámos este ano um projecto de música para todas as crianças do ensino pré-escolar e de terapia da fala para o 1º Ciclo. Nada disto existia.
A Escola Popular tem quase 700 alunos, mais de 10% da população, em grande parte idosos, distribuídos por todo o concelho que beneficiam de aulas de teatro, danças de salão, yoga, ginástica, inglês, história, informática. Nada disto existia.
E não nos podemos esquecer que todo o trabalho na temáticas do Endovélico, dos forais manuelinos, das memórias paroquiais, da antologia de poetas populares  e de outras publicações que temos em preparação correspondem a investimentos na área cultural, onde muito pouco se estava a fazer antes.
Penso que não se pode pedir mais oferta cultural ou outra oferta cultural, num momento em que a grave crise que estamos a viver obriga a câmara a um esforço muito maior para canalizar grande parte dos recursos financeiros para apoio directo às famílias  em termos de acção social e educação.
Quanto ao antigo programador cultural, tenho por ele o maior respeito como artista e como profissional e sempre que se justifique, como aconteceu com o CD dos cantadores dos reis, trabalharemos com ele. Mas para o trabalho que estamos a desenvolver e para as prioridades que estão definidas temos no quadro da câmara pessoas com a capacidade e competência necessárias, como se tem demonstrado, pelo que merecem a minha total confiança.


Também ultimamente não cessam as críticas à forma como tem gerido os contratos por ajuste directo quer com pessoal contratado quer com certas obras a realizar. Poderá esclarecer os nossos leitores sobre o assunto?

Não sei que criticas são essas já que não chegaram às sessões de câmara ou à assembleia municipal, lugares próprios para aparecerem e serem discutidas. No nosso concelho faz-se muita “politica de café” ou do boato e do anonimato e pouca politica séria e frontal nos locais próprios. Não contem connosco para alimentar esses caminhos.
Posso dizer que os contratos de ajuste directo que hoje se fazem na câmara são feitos com absoluta transparência, num escrupuloso cumprimento da legislação em vigor e para fazer face a necessidades reais e concretas para que a câmara desenvolva a sua actividade e concretize da melhor maneira as prioridades para que este executivo foi eleito com enorme respeito pelos escassos recursos públicos que temos ao nosso dispor.
Vários desses contratos já vêm do mandato anterior e mantiveram-se por serem necessários. Outros resultam de termos um quadro de pessoal desajustado das reais necessidades e que não pode ser ajustado por estarmos impedidos de abrir concursos por força do excesso de endividamento. Por exemplo, A câmara não tem nos seus quadros um único arquitecto, um engenheiro civil ou um técnico superior da área de informática. Se eles existissem não teríamos que recorrer a serviços externos.
Os restantes são para projectos concretos, quer seja para projectos técnicos de obras (muitos nas áreas de remodelação e alargamento das redes de água e saneamento do concelho, requalificação de caminhos e recuperação do património), quer seja para concretização de projectos com financiamento comunitário, como foi o caso do sistema de cinema 3D, o barco para os bombeiros, a Agenda 21 Local, etc.
Hoje fala-se mais de ajustes directos porque a legislação mudou muito e obriga a que todas as despesas superiores a 5 mil euros tenham por base as regras da contratação pública e sejam publicitadas. Até 2009 não era assim. Hoje – e ainda bem que é assim! –  todos os ajustes são publicados numa base de acesso público. Mas se querem falar sobre ajustes directos convido a consultar o que está publicado na base para 2009, até ao final de Outubro, só em relação à ultima Expo-Guadiana e Festas de Setembro.
Hoje só temos um objectivo: pôr a câmara a funcionar e as respostas serem as exigidas pelos munícipes! Duma coisa podem ter a certeza, hoje os contratos de avença são com pessoas ou empresas que realmente fazem trabalho para o município, que na maior parte dos casos vivem ou estão ligados ao concelho, que assim ajudam famílias a não ter que deixar o concelho num momento de crise muito grande. Hoje não há, como já houve no passado,  avenças milionárias na câmara para pessoas que nem cá punham os pés!


Foi bem aceite por todos o patrocínio da Autarquia para a realização do CD dos Cantadores dos Reis. Pensa a Autarquia seguir procedimento idêntico com outros agrupamentos culturais principalmente com a Banda do Centro Cultural?

Como já disse, a nossa prioridade é para o apoio aos agentes culturais locais. O CD dos Cantadores dos Reis foi uma proposta do grupo para assinalar o seu 23º aniversário com a qual concordámos desde o primeiro momento. É claro que a câmara trata todos os agentes culturais do concelho com o mesmo respeito e estamos disponíveis para apoiar todas as propostas que façam sentido. Posso adiantar que a edição de um CD da Banda já está a ser equacionada e espero que o grupo de cantares tradicionais “Trigueirão no Relheiro” tenha em breve a qualidade e a projecção que justifique uma edição semelhante.

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

ALANDROAL NA COMUNICAÇÃO SOCIAL... POR BOAS RAZÕES!


Em dois dias consecutivos o Alandroal é capa do "Diário do Sul" por duas boas razões que demonstram o grande trabalho do MUDA à frente da autarquia no estabelecimento de parcerias para o futuro e na captação de investimentos. Estamos todos de parabéns!



ENTREVISTA DE JOÃO GRILO AO AL-TEJO


Publicamos aqui as quatro questões já divulgadas e vamos continuar a acompanhar esta entrevista.


Durante estes três anos de mandato qual a situação que considera mais positiva em beneficio do Concelho?

Estes três anos foram, provavelmente, os mais difíceis para o Alandroal no pós-25 de Abril. A crise económica que se abateu sobre o país teve está a ter aqui os seus reflexos. Houve, com certeza, nos primeiros anos da democracia outros momentos difíceis, mas nunca o concelho esteve tão fragilizado do ponto de vista financeiro para os enfrentar, até porque o papel do município, assim como as expectativas dos munícipes eram completamente diferentes nessas alturas.
Foram três anos a lutar contra um endividamento de tal modo pesado que todos os dias limita as nossas possibilidades de actuação, três anos em que assistimos a sucessivas reduções nas transferências do Estado para a autarquia ao mesmo tempo que as nossas receitas directas de taxas e impostos diminuíam e éramos alvo de retenções e penhoras de créditos de valores astronómicos para a nossa realidade por dívidas do passado – o que ainda está a acontecer. E tudo isto num cenário de crise nacional e internacional em que as pessoas estão mais desprotegidas e ainda esperam mais da câmara municipal.
Algumas pessoas ainda não perceberem a real dimensão do problema e pensam que tudo não passa de uma guerra de números entre forças políticas. Mas a verdade não permite interpretações duplas.

Portanto, neste contexto, que era a combinação perfeita para que tudo corresse mal e nós não fossemos mais do que os “administradores da insolvência” de um município falido, conseguimos, com a nossa actuação e as nossas respostas, assegurar o normal funcionamento da instituição, aprofundar politicas educativas e culturais, melhorar respostas sociais, estar mais perto dos munícipes na sua relação com a câmara municipal, recuperar a confiança dos fornecedores locais e das associações do concelho. Ao mesmo tempo, conseguimos concluir e pagar obras que estavam paradas ou em andamento mas sem pagamentos efectuados e, portanto, condenadas a parar a curto prazo. Lançámos e estamos a lançar novas obras e ao longo deste tempo desenvolvemos um número considerável de novos projectos que apenas aguardam financiamento. Estamos longe de ultrapassar todas as dificuldades e os tempos vão continuar a ser difíceis mas começamos a ter “a casa arrumada” e a poder olhar para o futuro com mais confiança.
Por tudo isto, para mim, o mais positivo destes três anos é, apesar de todas as dificuldades, termos uma câmara a funcionar em pleno, a construir as bases sólidas para um futuro melhor, a recuperar a sua credibilidade, bom nome e confiança das pessoas do concelho, assim como credibilidade externa nas relações institucionais. E ainda considero mais positivo que seja um movimento independente a liderar este processo com a ajuda de muita gente, dentro e fora da câmara que coloca acima de tudo a sua dedicação ao concelho.

E a menos conseguida ou até a mais frustrante?

O menos conseguido é que, por força deste cenário de crise, algumas coisas – que não dependem de nós – tendem a acontecer mais lentamente do que gostaríamos o que é frustrante para quem tem urgência em fazer acontecer.
Tem havido limitações e atrasos na aprovação de financiamentos comunitários para alguns dos projectos que desenvolvemos e que consideramos prioritários, como por exemplo a  remodelação dos sistemas de água e saneamento em todo o concelho ou a requalificação do caminho municipal 1109 entre Rosário e Ferreira de Capelins, ambos prontos para avançar há quase 2 anos.
Por outro lado, a conjuntura económica tem sido um obstáculo ao avanço de projectos privados, sobretudo na área do turismo, que estão aprovados pela câmara, alguns até já têm financiamento comunitário mas que demoram a sair do papel pelo clima de incerteza com que os investidores se confrontam e que poderiam, muito rapidamente, contribuir para a criação de emprego e para ajudar o concelho a afirmar-se como destino turístico.

Por fim, embora tenhamos noção que, em termos gerais, as pessoas do concelho compreendem e apoiam as nossas prioridades e a nossa política, dentro da câmara – ao nível dos funcionários – a mensagem tem sido mais difícil de passar e assumo isso como um dos aspectos menos conseguidos. Por força do nosso esforço de reestruturação dos serviços e redução dos custos internos e de funcionamento, a que temos recorrido para manter os postos de trabalho e os vencimentos ao final do mês, pelas alterações legislativas que têm estado associadas a limites nas horas extraordinárias e ajudas de custos, a cortes nos salários e subsídios de férias e de natal, ao congelamento nas carreiras ou a regras mais rígidas nas comparticipações nas despesas de saúde. Num cenário de crise e de perda, generalizada, de poder de compra é, sem margem de dúvida, mais difícil aceitar estas mudanças. Contudo, e apesar de tudo, parece-me que as pessoas começam a perceber que só estamos a pensar no futuro de todos.


Das prioridades que escolheu para resolução imediata quais foram as concretizadas?

Desde logo o equilíbrio das contas do município. Quando assumimos funções a câmara vivia uma situação de absoluta emergência financeira com mais de 30 milhões de passivos totais exigíveis através dos compromissos assumidos. Desse valor, pelo menos 17 milhões de euros eram dívida de curto prazo que podia e estava a ser exigida a todo o momento pelos credores. Temos estado a fazer um percurso de eliminação de compromissos assumidos, pagamento de dívida e consolidação de passivo. Em cada um destes 4 anos de mandato, mais de um milhão de euros das nossas receitas que devia ser para investimento terá sido para pagar dívida. Ainda estamos a viver momentos difíceis, mas quando entrar em vigor o Plano de Reequilíbrio Financeiro aprovado em Dezembro a dívida de curto prazo não consolidada do município passará a zero, e os passivos totais serão pouco superiores aos 18 milhões de euros. É um problema que vai demorar 20 anos a ser resolvido, mas nestes 4 terão sido dados os passos necessários para que a câmara possa funcionar e pagar a dívida acumulada sem comprometer o desenvolvimento do concelho.

Por outro lado, quando assumimos funções, a câmara era uma estrutura pesada, dispersa, desorganizada e gastadora em todos os sentidos. A reorganização de serviços e da estrutura da câmara permitiu reduzir custos de funcionamento, melhorar as respostas e embora este seja um trabalho que nunca se pode considerar concluído, começamos a ver os frutos dessa estratégia.
Temos estado a introduzir mecanismos de poupança que só não avançam mais rapidamente porque exigem investimentos iniciais significativos, como é o caso da bomba de combustível própria que já está em funcionamento e que permite uma poupança de 10 cêntimos por litro de gasóleo.

Mas isto não significa que já tudo esteja bem. Este trabalho tem que continuar a ser desenvolvido. Tenho noção, por exemplo, que o serviço de águas continua a ser uma fonte de problemas na nossa relação com os munícipes. Estamos longe de estar satisfeitos com isto e vamos continuar a introduzir alterações até as coisas funcionarem a 100%. E ainda há muito trabalho a fazer, por exemplo, no estaleiro municipal, armazéns e arquivo.

E acima de tudo, a mais importante das prioridades, porque dela dependem todas as outras, é a definição de um rumo e uma estratégia de desenvolvimento para o concelho, o que não existia. Houve uma aposta para além de todos os limites do razoável nas “grandes obras”, dispersas, megalómanas, desequilibradas, para “encheram o olho” à população e o ego de algumas pessoas e que serviram mais as vaidades politicas que o desenvolvimento do concelho. Obras que se revelaram caras, desajustadas das necessidades da população e que tem elevados custos de manutenção que vão sempre ser um problema no futuro.

Nestes quatro anos invertemos essa tendência e definimos uma verdadeira estratégia de recuperação e reabilitação dos imóveis já existentes, como são exemplo, a antiga escola primária do Alandroal e o antigo posto da guarda fiscal do Alandroal que agora se destina ao novo quartel da GNR ou a escola primária de Terena, prestes a entrar em obra. E já temos em desenvolvimento projectos para a recuperação do antigo posto da guarda fiscal de Montejuntos e das capelas de S. António em Alandroal e Terena para desempenharem com dignidade as suas funções de capelas mortuárias.
Quanto ao património histórico, assumimos como prioritária uma estratégia de intervenção e de recuperação como factor decisivo para um desenvolvimento sustentado assente na economia cultural e no turismo. Estamos a intervir no castelo do Alandroal, vamos restaurar a “Fonte das Bicas” e recuperar a Capela da Boanova e estamos a desenvolver projectos para que o património do concelho tenha um plano de recuperação exequível e contínuo ao longo do tempo – algo que nunca aconteceu no passado! – e estamos a preparar uma estratégia de incentivo à ocupação e reabilitação dos centros históricos de Alandroal, Terena e Juromenha.

Destaco ainda a prioridade dada ao desenvolvimento económico. Criámos eventos de promoção do concelho e das suas actividades económicas que se estão a consolidar pela autenticidade, qualidade e sustentabilidade. A “Mostra Gastronómica do Peixe do Rio” e o Festival “Terras do Endovélico” estão a tornar o concelho conhecido pelo que tem de melhor. Ajudámos a criar a primeira associação empresarial do Alandroal, criámos um novo conjunto de incentivos à fixação de empresas e estamos a estabelecer laços de cooperação com outros municípios, de onde destaco a cooperação com Olivença que se vai traduzir na assinatura de um protocolo já no próximo dia 19 com a presença de empresários dos dois concelhos.
Estas prioridades, assim como outras em áreas tão diversas como a cultura, a acção social e a educação, a eficiência energética, as acessibilidades e a mobilidade sustentável estão hoje plasmadas num documento que contou com a participação de todos na sua elaboração (Agenda 21 Local) e que orienta o desenvolvimento estratégico do concelho para os próximos anos.

Politicamente optou por ser do PS e nessa força política foi militante. Depois face às situações sobejamente conhecidas e que o levaram à fundação do MUDA, qual é presentemente a sua orientação ideológica dominante?

Aquilo que somos em cada momento é o somatório da nossa história de vida, da nossa formação e dos nossos valores. Isso não muda por se estar num partido ou num movimento. O desempenho de funções autárquicas aumenta a nossa sensibilidade para algumas questões, alarga os nossos horizontes, mas a nossa essência mantém-se. Não preciso de fazer parte de um partido para me sentir em paz com os meus valores ideológicos e comigo mesmo. Sinto-me bem como independente e sei que sou respeitado por isso.
Não quero falar do passado, mas o tempo veio provar que estávamos certos nas posições que tomámos. Sabíamos quais seriam as consequências disso ao nível do partido e sempre convivemos bem com isso. Aliás, a cada dia que passa aumenta a nossa convicção de que não poderia ser de outra maneira e cada vez são mais as pessoas que compreendem isso.
Neste momento representamos com muito orgulho um movimento independente que mantém boas relações com todos os partidos e isso é o mais importante porque quem ganha é o Alandroal.

TEXTO PARA PUBLICAÇÃO - HELDER SALGADO


 o Tobias não embarcava em utopias


O velho Tobias era um cidadão alandroalense.
   Tornara-se um homem carismático pelos seus ditos, sempre oportunos e  originários de uma grande reflexão, que fazia dos momentos mais atribulados da sua vida.
   Nasceu na freguesia de nossa senhora da Conceição e lá morreu.
   Fora tropa em Vila Viçosa, fez guardas à rainha dona Amélia e conheceu o rei D. Carlos, de quem se dizia admirador.
    Enquanto servidor do exército considerou o Palácio Ducal a sua segunda casa.
   Zé Tobias, moço de trinta anos, casado e pai de um lindo casal de gémeos, sofreu após a sua saída da tropa, o maior desaire da sua vida.
    Acreditava e explicava, que fora a queda da monarquia, a razão de ter sido posto fora do exército.
    Gostava de ter seguido a política e a disciplina da tropa, não tanto pelo vencimento, que embora certo e bem regrado pela esposa chegava para manter a casa no Alandroal, junto à horta da Bica, onde sempre viveu, mas pela vaidade que sentia quando de uniforme vestido.
    Sentia-se bem dentro daquele fato de cotim militar no Verão e de saragoça no Inverno.
    E o boné?
   Cada dia que o colocava na cabeça tinha que se ver ao espelho.
   Vinha a casa de oito em oito dias, vinha sempre a pé, exceto quando recebia o pré, nesse dia vinha na diligência do estafeta Manuel Colunas, que fazia carreira dia sim, dia não, entre o Alandroal e Vila Viçosa.
     Tirava um bilhete de segunda classe, donde emergia a obrigatoriedade de se descer nas ladeiras. No percurso entre as duas povoações descia-se em três. Na ladeira do alto de nossa senhora, algumas vezes tolerada e na de Pardais e do alto Carambou de obrigação.  
    Quando se descia na praça e passava em frente da taberna que fora do avô do Pimenta, o velho taberneiro gritava-lhe:
- Oh meu capitão, não vai um copo? 
   O Tobias sorria e com um ar superior e vaidoso lá bebia o seu copito.
   Fora da tropa e não se deixando abater pelo despedimento, logo arranjou trabalho e nos domingos, quando por vezes tinha folga, ia para o campo arranjar algo para o sustento da família.
   Cardos, agriões, “tubarões” cogumelos e alguma azeitona para pisar e retalhar, tudo isto, levava para casa. Conhecia bem as azinheiras que davam boletas doces para o magusto, aproveitando o lume que fazia nas noites invernosas.   
    Olhar para as mãos dos outros, nunca olhou.
    Tive conhecimento de uma das suas reflexões, que eu na minha modesta maneira de ser e de pensar e, com a vivência dos meus anos, classifiquei de política.
    A ditadura tinha caído havia ano e meio.
    A instabilidade apoderou-se no país e o desentendido no exercício do poder era perfeito e conducente um descalabro financeiro.
    O cenário, campestre, situou-se junto a meio caminho da estrada das Hortinhas/Terena, num dia frio mas soalheiro dum Inverno que se adivinhava longo, no lugar chamado de Chaparral.
    Naquele dia eu era tratorista de ocasião.
   Tinha ido buscar lenha, grossa e migada, que o Adélio Salgado, carteiro de profissão, tinha cortado das velhas azinheiras para estas reverdecerem.
Escutem-nos esta conversa.
- Lembraste Zé do velho Tobias? - pergunta o carteiro ao primo Zé Salgado, ferrador de ofício e alandroalense como o Adélio, ambos a trabalhar e a morar na freguesia de São Pedro de Terena.
- Se me lembro - respondeu o ferrador, abrindo um sorriso denunciador das recordações do velho Tobias.
   O carteiro pressionando um pequeno pau entre o polegar e o indicador diz para o primo.
- Lembras-te do velho Tobias dizer isto - e apontando para o pequeno palito, continuou - Agora estão os republicanos em cima - e invertendo os dedos diz - Amanhã estão os monárquicos. O Povo está sempre no meio, sempre entalado. - Concluiu com uma firmeza inabalável o primo Adélio.  
    Estou a falar de três gerações que, por curiosidade, poderíamos associar a três sistemas políticos - monarquia, república e democracia. 
   Ao ler a imprensa bloguista Alandroalense nela se levantam uns novos/velhos arautos, tentando tocar um novo hino, com uma trombeta velha, roufenha, de anúncios políticos, gastos, inatingíveis, tentando enganar os incautos.
   O Alandroal, o Concelho não necessita de novas demagogias e muito menos de demagogos sobejamente conhecidos e causadores do aprofundamento concelhio, precisa isso sim, de homens que façam parte da solução num caminhar honesto e credível.
   Os Alandroalenses tal como O TOBIAS NÃO VÃO EMBARCAR EM UTOPIAS. 

Helder Salgado.
15-12-2012.

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

NOTÍCIAS CMA


Alandroal e Olivença Assinaram Convénio de Colaboração

 
Os municípios de Alandroal e Olivença querem estabelecer “pontes” sólidas para o desenvolvimento conjunto dos dois territórios vizinhos, separados apenas pelo rio Guadiana, hoje Albufeira de Alqueva. O protocolo agora estabelecido, que visa o desenvolvimento de projectos e actividades de interesse público comuns, foi assinado na presença de um conjunto alargado de empresários dos dois concelhos e incide sobre as áreas das actividades económicas e empresariais, da cultura, do turismo, de ambiente e da educação.

Com este acordo os dois municípios afirmam a sua vontade comum de criar sinergias de desenvolvimento e promoção conjunta dos seus territórios, ao abrigo dos acordos de cooperação estabelecidos entre Espanha e Portugal e na expectativa de ver os seus projectos financiados por fundos comunitários.

O presidente da câmara do Alandroal, João Grilo, afasta desta colaboração qualquer tipo de polémicas por questões históricas e afirma que “estamos no século XXI, integrados na União Europeia, num território com grandes potencialidades de desenvolvimento mas que tem sido sucessivamente esquecido pelo poder central, e que a nível local também sempre esteve fechado sobre si mesmo, e que está a sentir a crise como todo o país”.

O autarca afirma que, “neste contexto é inadmissível que não alarguemos horizontes, que não esgotemos possibilidades e que não o façamos em primeiro lugar com que está mesmo ao nosso lado e tem objectivos e propósitos idênticos”. Os empresários e as populações de ambos os concelhos não nos perdoariam se não estivéssemos empenhados neste propósito. E ainda bem que o estamos, porque os benefícios são para ambos os lados mas o Alandroal pode ter muito a ganhar com este processo que agora iniciamos.”
Um dos grandes objectivos imediatos é a criação de uma solução de travessia para pessoas e veículos entre Juromenha e Villareal, mas dos planos dos dois municípios fazem parte, por exemplo, a promoção turística conjunta dos dois territórios em Portugal e Espanha através de produtos turísticos específicos, a criação de eventos culturais realizados alternadamente nos dois concelhos e um programa de intercâmbios entre os agrupamentos de escolas e universidades seniores, entre outras iniciativas.
 
 
Fonte: Gabinete de Imprensa C.M.A.

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

NOTÍCIAS CMA


Município e Autoridade Tributária Promovem Sessão de Esclarecimento Sobre Novas Regras de Facturação

 

A Câmara Municipal de Alandroal, em colaboração com a Autoridade Tributária (AT)/Direcção de Finanças de Évora, vai promover uma sessão de esclarecimento sobre as novas regras de facturação. A iniciativa vai realizar-se no próximo dia 19 de Fevereiro, no auditório do edifício sede do Município de Alandroal, pelas 14:30 horas.

A sessão será conduzida por dois formadores do projecto “e-factura” da AT/Direcção de Finanças de Évora e destina-se a empresários, comerciantes e a todo o público em geral. Para além da apresentação do tema, do novo regime de bens em circulação e dos direitos e deveres dos agentes económicos os participantes terão, ainda, oportunidade para ver esclarecidas as suas dúvidas sobre os assuntos abordados.
 
Fonte: Gabinete de Imprensa C.M.A.